Vi-te, Senhor

Eu não pude ver-Te, meu Senhor, 
Nos bem-aventurados do mundo
Como aquele homem humilde e crente do conto de Tolstoi

Nunca pude enxergar, 
As Tuas mãos suaves e misericordiosas, 
Onde gemiam as dores e as misérias da Terra! 
E a verdade, Senhor, 
É que Te achavas, como ainda Te encontras, 
Nos caminhos mais rudes e espinhosos, 
Consolando os aflitos e os desesperados… 
Estás no templo de todas as religiões, 
Onde busquem Teus carinhos, 
As almas sofredoras, 
Confundindo os que lançam o veneno do ódio em Teu nome, 
Trazendo a visão doce do Céu, 
Para o olhar angustioso de todas as esperanças… 
Estás na direção dos homens, 
Em todos os caminhos de suas atividades terrestres, 
Sem que eles se apercebam, 
De Tua palavra silenciosa e renovadora, 
De Tua assistência invisível e poderosa, 
Cheia de piedade para com as suas fraquezas. 

Entretanto, 
Eu era também cego no meio dos vermes vibráteis que são os homens, 
E não Te encontrava pelos caminhos ásperos… 

Mocidade, alegria, sonho e amor, 
Inquietação ambiciosa de vencer, 
E minha vida rolava no declive de todas as ânsias… 

Chamaste-me, porém, 
Com a mansidão de Tua misericórdia infinita. 
Não disseste o meu nome para não me ofender; 
Chamaste-me sem exclamações lamentosas, 
Com o verbo silencioso do Teu amor, 
E antes que a morte coroasse a Tua magnanimidade para comigo, 
Vi que chegavas devagarzinho, 
Iluminando o santuário do meu pensamento, 
Com a Tua luz de todos os séculos! 

Falaste-me com a Tua linguagem do Sermão da Montanha
Multiplicaste o pão das minhas alegrias, 
E abriste-me o Céu, que a Terra fechara dentro de minha alma… 

E entendi-Te, Senhor, 
Nas Tuas maravilhas de beleza, 
Quando Te vi na paz da Natureza
Curando-me com a Dor. 

Espírito Rodrigues de Abreu, do livro Parnaso de Além-túmulo, psicografado por Chico Xavier.

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