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Correspondência

Loudéac, 20 de dezembro de 1858. Senhor Allan Kardec, Felicito-me por ter-me posto em relação convosco por meio do gênero de estudos a que mutuamente nos entregamos. Há mais de vinte anos eu me ocupava com uma obra que deveria se intitular Estudo sobre os germens . Essa obra devia ser especialmente fisiológica; entretanto, minha intenção era demonstrar a insuficiência do sistema de Bichat, (Xavier Bichat, 1771–1802, anatomista e fisiologista francês) que não admite senão a vida orgânica e a vida de relação. Queria provar que existe um terceiro modo de existência, que sobrevive aos dois outros em estado não orgânico. Esse outro terceiro modo nada mais é que a vida anímica, ou espírita , como chamais. Numa palavra, é o gérmen primitivo que engendra os dois outros modos de existência, orgânica e de relação. Também queria demonstrar que os germens são de natureza fluídica, bidinâmicos, atrativos, indestrutíveis, autógenos e em número definido, tanto em nosso planeta quanto em todos os meio...

Água da vida

Na Terra, a água é o ingrediente mais expressivo da vida orgânica. No seio morno do mar nasceram os embriões de toda existência física. Sem a presença dos rios, o homem não construiria a cidade e sem o apoio da chuva, ninguém colheria os frutos do campo. Para que a vitalidade garanta a força corpórea, é preciso que a água amasse o pão das criaturas e para que a saúde humana seja mantida, quase sempre é indispensável seja ela o veículo da medicação que o socorre. Assim como a água, preciosa e necessária ao progresso e à segurança do mundo, é também a piedade no campo espiritual de nossas relações uns com os outros Sem a piedade das mães que morrem, renunciando a si mesmas, não conheceríamos o conforto do lar; sem a piedade dos que ensinam, humilhando tanta vez a si próprios, a ignorância seria noite invencível; e sem a piedade do amor fraterno que perdoa sem condições, o ódio entre as criaturas seria qual veneno volante e destruídos. Piedade! Piedade!…   Guarda-a contigo no coração ...