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No plano carnal

Isolado na concha milagrosa do corpo, o espírito está reduzido em suas percepções a limites que se fazem necessários. A esfera sensorial funciona, para ele, à maneira de câmara abafadora. Visão, audição, tato, padecem enormes restrições. O cérebro físico é um gabinete escuro, proporcionando-lhe ensejo de recapitular e reaprender. Conhecimentos adquiridos e hábitos profundamente arraigados nos séculos aí jazem na forma estática de intuições e tendências. Forças inexploradas e infinitos recursos nele dormem, aguardando a alavanca da vontade para se externarem no rumo da superconsciência. No templo miraculoso da carne, em que as células são tijolos vivos na construção da forma, nossa alma permanece provisoriamente encerrada, em temporário olvido, mas não absoluto, porque, se transporta consigo mais vasto patrimônio de experiência, é torturado por indefiníveis anseios de retorno à espiritualidade superior, demorando-se, enquanto no mundo opaco, em singulares e reiterados desajustes. Den...

Alienação mental

Reunião pública de 23 de janeiro de 1959 Questão nº 373 Enquanto o vício se nos reflete no corpo, os abusos da consciência se nos estampam na alma, segundo a modalidade de nossos desregramentos. É assim que atravessam as cinzas da morte, em perigoso desequilíbrio da mente, quantos se consagraram, no mundo, à crueldade e à injustiça, furtando a segurança e a felicidade dos outros. Fazedores de guerra que depravaram a confiança do povo com peçonhento apetite de sangue e ouro, legisladores despóticos que perverteram a autoridade, magnatas do comércio que segregaram o pão, agravando a penúria do próximo, profissionais do direito que buscaram torturar a verdade em proveito do crime, expoentes da usura que trancafiaram a riqueza coletiva necessária ao progresso, artistas que venderam a sensibilidade e a cultura, degradando os sentimentos da multidão, e homens e mulheres que trocaram o templo do lar pelas aventuras da deserção, acabando no suicídio ou na delinquência, encarceram-se nos vór...

Ao viajor da fé

Caminheiro da Terra, escuta, dia a dia,  A mensagem de Amor em que reconfortas. Avança sobre a dor das esperanças mortas, Na conquista do Bem, eleva-te e porfia! Supera as tentações das trevas e da agonia, Louva o dever e a fé com que a ti mesmo exortas. E alcançarás, mais tarde, rutilantes portas Dos templos imortais da Divina Alegria. Um dia, voltarás ao país de onde vieste, Filho tornado à paz do Santo Lar Celeste, Finda a rude aflição da carne transitória…  Segue, pois, com Jesus, embora enfermo e aflito. E ascenderás, cantando, à glória do Infinito, Aureolado na Luz da suprema vitória. Espírito Amaral Ornellas, do livro Relicário de Luz, psicografado por Chico Xavier.  

Na obra cristã

Para que nós, os cristãos, não venhamos a falsear a profecia de que somos portadores, é imprescindível nos atenhamos à Obra de Amor e Luz que nos cabe, na concretização dos princípios do Mestre e Senhor, cuja lição levantamos dos velhos sepulcros da letra em que se nos aprisionava a experiência religiosa.  Disse-nos o Senhor: —“ Não julgueis para que não sejas julgado ”.  Isso, decerto, não equivale dizer que é preciso abolir a análise do nosso campo de inteligência, mas, sim que toda condenação é vinagre no pão da fraternidade com que pretendemos nutrir a concórdia entre os homens.  Asseverou, de outra feita: —“ Serás medido com medida idêntica a que aplicares a teu irmão ”. Isso, também, não indica que devermos marchar indiferentes a confrontações e definições, necessárias à elevação de nível do progresso que nos é próprio, mas, sim, que usar as armas da ironia ou da violência, com que somos defrontados no roteiro comum, será o mesmo que atirar o petróleo à fogueira,...

Benefício

Ante a causa do bem, Não temas empecilhos. Pelo mal faze o bem E ajuda sem prender-te. Poder auxiliar É um prêmio que reténs. Não peças gratidão A quem beneficies. A árvore não come Os frutos que produz. Se já queres servir, Rende graças a Deus. Espírito Emmanuel, do livro Recanto de Paz, psicografado por Chico Xavier.  

Anotação

Amigo Leitor, Em dezembro de 1971, amigos convidaram-nos para um encontro em público na capital de São Paulo e, já que se tratava de iniciativa beneficente, não havia razão para omitir-nos.  Lá nós fomos, o médium Xavier e eu, para a realização.  O evento teve lugar em vasto salão de simpática televisora e os autores das perguntas constituíam uma comissão distinta de jurados escolhidos pelos promotores do acontecimento.  Achávamo-nos com alguns companheiros junto do médium referido, que se mantinha em prece silenciosa, sustentando-se unido conosco, os amigos espirituais.  Não monopolizamos o serviço.  Certamente, algumas perguntas, o médium poderia respondê-las sem nosso concurso direto, pois estava habilitado para isso, o que efetivamente aconteceu.  O programa se desdobrou com tranquilidade.  Cada integrante do grupo de investigadores, a que chamamos “comissão julgadora”, formulava uma indagação vinculada a determinado assunto a que respondemos, m...

Água

A água, no mundo, não somente carreia os resíduos dos corpos, mas também as expressões de nossa vida mental. Será nociva nas mãos perversas, útil nas mãos generosas e, quando em movimento, sua corrente não só espalhará bênçãos de vida, mas constituirá igualmente um veículo da Providência Divina, absorvendo amarguras, ódios e ansiedades dos homens, lavando-lhes a casa material e purificando-lhes a atmosfera íntima. Texto extraído do Livro Nosso Lar, de André Luiz.