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A fama de rico

O coronel Manoel Rabelo, influente fazendeiro no Brasil Central, fora acometido de paralisia nas pernas.  Vivia no leito, rodeado pelos filhos atentos. Muito carinho. Assistência contínua.  No decurso da doença veio a conhecer a Doutrina Espírita, que lhe abriu novos horizontes à vida mental.  Pouco a pouco desprendia-se da Ideia de posse.  Para que morrer com fama de rico?  Queria agora a paz, a bênção da paz.  Viúvo, dono de expressiva fortuna e prevendo a desencarnação próxima, chamou os quatro filhos adultos e repartiu entre eles os seus bens.  Terras, sítios, casas e animais, avaliados em seis milhões de cruzeiros, foram divididos escrupulosamente.  Com isso, porém, veio a reviravolta.  Donos de riqueza própria, os filhos se fizeram distantes e indiferentes.  Muito embora as rogativas paternas, as visitas eram raras e as atenções inexistentes.  Rabelo, muito triste e quase completamente abandonado, perguntava a si mesmo se n...

Círculos intercessórios

“Ajudando-nos também vós com orações por nós, para que pela mercê, que por muitas pessoas nos foi feita, por muitas também sejam dadas graças a nosso respeito”. Paulo , II Coríntios, 1:11 . O mal empreende o ataque, o bem organiza a defesa. O primeiro, movimenta a agressão, estabelece o terror, espalha ruínas. O segundo mobiliza o direito, cria energias novas, eleva sentimentos e consciências. Os povos pacíficos da atualidade encontram problemas de solução imediata, cuja equação requer ânimo sadio. Como interpretar o assédio de força? Como receber as novas modalidades de tirania? O ataque do mal vem à sombra da noite, o golpe traiçoeiro não espera declarações diplomáticas, nem a invasão generalizada obedece a protocolos políticos. Muitas nações mantiveram-se à margem dos grandes conflitos, guardando a neutralidade e as tradições do direito internacional. Nem por isso, todavia, tornaram-se respeitadas. A onda de barbarismo envolve países, coletividades, continentes. É necessário que ...

Ambientes

Importante pensar que não apenas temos o que damos, mas igualmente viveremos naquilo que proporcionamos aos outros.  Daí o impositivo de doarmos tão somente o bem, integralmente o bem.  Se em determinada faixa de tempo criamos a alegria para os nossos semelhantes e criamos para eles o sofrimento em outra faixa, nossa existência estará dividida entre felicidade e desventura, porque teremos trazido uma e outra ao nosso convívio, arruinando valiosas oportunidades de serviço e elevação.  Se oferecemos azedume, é óbvio que avinagraremos o sentimento de quem nos acolhe, reavendo, em câmbio inevitável, o mesmo clima vibratório, como quem recolhe água inconveniente para a própria sede, após agitar o fundo do poço, de cuja colaboração necessite.  Se atiramos crítica e ironia à face do próximo, de outro ambiente não disporemos para viver senão aquele que se desmanda em sarcasmo e censura.  Certifiquemo-nos de que não somente as pessoas, mas os ambientes também responde...

Frases da hora

Continua trabalhando.   Não reclames.   Atenção em tudo.   Cultiva o essencial.    Nada critiques.   Auxilia para o bem.   Perdoa sempre.   Espera construindo.   O passado orienta.   O futuro promete.   Hoje é o dia de fazer o melhor.   Diálogo  Dizem que, em certo dia, o Servidor abatido pelo desemprego, indagou ao Trabalho:  — Por que me demitiste do teu apoio?   E o Trabalho, com tristeza, formulou esta contra-pergunta:   — Por que te revoltaste contra mim?  Espírito Emmanuel, do livro Agora é Tempo, psicografado por Chico Xavier.  

Agenda cristã, informando o leitor

Legiões de companheiros procuram diretrizes, preocupados em traçar caminhos exteriores. Estimariam receber do plano espiritual sugestões diretas que os elevassem às culminâncias da vitória fácil. Desejariam reajustar os negócios que lhes dizem respeito, modificar intempestivamente a atitude mental de pessoas queridas, penetrar o segredo das circunstâncias improvisadas na aplicação do livre-arbítrio alheio, à custa de pareceres dos irmãos desencarnados, habitantes de outros círculos. Entretanto, indivíduo algum fugirá à experiência, cuja função é ensinar e melhorar sempre. Em face de semelhante realidade, qualquer orientação sem base na harmonia íntima não passará de simples jogo de palavras, no serviço, muita vez louvável e benéfico, da contemporização. O homem renovado para o bem é a garantia substancial da felicidade humana. Eis por que, antes de tudo, é imprescindível o engrandecimento do ser, diante da vida e do Universo, invariavelmente tocados, nos menores ângulos, pelas ma...

Luz e silêncio

O Mestre que nos recomendou situar a lâmpada sobre o velador, também nos exortou, de modo incisivo: – “Brilhe a vossa luz diante dos homens!”  Conhecimento evangélico é sol na alma.   Compreendendo a responsabilidade de que somos investidos, esposando a Boa Nova por ninho de nossos sentimentos e pensamentos, busquemos exteriorizar a flama renovadora que nos clareia por dentro, a fim de que a fé não seja uma palavra inoperante em nossas manifestações.   Onde repontem espinheiros da incompreensão, sê a bênção do entendimento fraterno.   Onde esbraveje a ofensa, sê o perdão que asserena e edifica.   Onde a revolta incendeie corações, sê a humildade que restaura a serenidade e a alegria.   Onde a discórdia ensombre o caminho, sê a paz que se revela no auxílio eficiente e oportuno.   Não olvidemos que a luz brilha dentro de nós.   Não lhe ocultemos os raios vivificantes sob o espesso velador do comodismo, nas teias...

O grito

— Uma boa palavra auxilia sempre. Às vezes, supomo-nos sozinhos e proferimos inconveniências. Desajudamos quando podíamos ajudar. É preciso aproveitar oportunidades.  Falar é um dom de Deus. Se abrirmos a boca para dizer algo, saibamos dizer o melhor.  A pequena assembleia ouvia atenta a palavra de Sálus, o instrutor espiritual que falava pelo médium.  — Não adianta repetir frases inúteis. E é sempre falta grave conferir saliência ao mal.  Comentemos o bem. Destaquemos o bem.  Dentre todos os presentes, Belmiro Arruda, escutava em silêncio.    Decorridos alguns dias, Arruda, nas funções de pedreiro-chefe, orientava o término da construção de grande recinto. O enorme salão parecia completo. Tudo pronto. Acabamento esmerado. Pintura primorosa. — Experimentemos a acústica – disse o engenheiro superior.  E virando-se para Belmiro:  — Grite algo.  Arruda, recordando a lição, bradou:  — Confia em Jesus!… Confia em Jesus!…  O som e...