Carta aberta
Meu amigo – soube que vocês esperaram, em Sebastianópolis (São Sebastião do Rio de Janeiro), um escritor já morto, com grande estardalhaço jornalístico. À maneira do viajante que volta de longe, estranho na própria terra e irreconhecível aos seus, deveria ele descer de algum ônibus invisível e aparecer como fantasma autêntico, relacionando novidades e anedotas do país das sombras. Segundo a tradição venerável do Evangelho, Jesus apareceu numa sala de portas cerradas, em Jerusalém, depois da ressurreição, mas somente aos discípulos amados, à luz da confiança na intimidade do coração, contando-se, ainda, que um deles, transformando-se, de chofre, em investigador renitente, avançou para o Mestre, apalpando-lhe as chagas ainda vivas, como se o Cristo só pudesse ser identificado pelas feridas da cruz. O escritor que vocês aguardavam, porém, era chamado a testemunho maior. Exigiam que ele retomasse os ossos carcomidos no apartamento de subsolo, onde seu corpo descansa, e ...