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O homem ante a vida

No crepúsculo da civilização em que rumamos para a alvorada de novos milênios, o homem que amadureceu o raciocínio supera as fronteiras da inteligência comum e acorda, dentro de si mesmo, com interrogativas que lhe incendeiam o coração. Quem somos? Donde viemos?  Onde a estação de nossos destinos? À margem da senda em que jornadeia, surgem os escuros estilhaços dos ídolos mentirosos que adorou e, enquanto sensações de cansaço lhe assomam à alma enfermiça, o anseio da vida superior lhe agita os recessos do ser, qual braseiro vivo do ideal, sob a espessa camada de cinzas do desencanto. Recorre à sabedoria e examina o microcosmo em que sonha. Reconhece a estreiteza do círculo em que respira. Observa as dimensões diminutas do Lar Cósmico em que se desenvolve. Descobre que o Sol, sustentáculo de sua apagada residência planetária, tem um volume de 1.300.000 vezes maior que o dela. Aprende que a Lua, insignificante satélite do seu domicílio, dista mais de 380.000 quilômetros do mundo q...

Aborto delituoso

Reunião pública de 9/1/59 Questão nº 358 Comovemo-nos, habitualmente, diante das grandes tragédias que agitam a opinião. Homicídios que convulsionam a imprensa e mobilizam largas equipes policiais…  Furtos espetaculares que inspiram vastas medidas de vigilância…  Assassínios, conflitos, ludíbrios e assaltos de todo jaez criam a guerra de nervos, em toda parte e, para coibir semelhantes fecundações de ignorância e delinquência, erguem-se cárceres e fundem-se algemas, organiza-se o trabalho forçado e em algumas nações a própria lapidação de infelizes é praticada na rua, sem qualquer laivo de compaixão. Todavia, um crime existe mais doloroso, pela volúpia de crueldade com que é praticado, no silêncio do santuário doméstico ou no regaço da Natureza…  Crime estarrecedor, porque a vítima não tem voz para suplicar piedade e nem braços robustos com que se confie aos movimentos da reação. Referimo-nos ao aborto delituoso, em que pais inconscientes determinam a morte dos próprio...

Alma e Corpo

Disse a Alma, chorando, ao Corpo aflito: —Por que me prendes, triste barro escuro, Se busco o Espaço imenso, se procuro O império resplendente do infinito? Por que me deste a dor por sambenito* No caminho terrestre áspero e duro? Por que me algemas a sinistro muro, O coração cansado, ermo e proscrito? Mas o Corpo exclamou: – Cala-te e ama! Eu sou, na Terra, a cruz de cinza e lama Que te serve de ninho, templo e grade…  Mas dos meus braços partirás, um dia, Para a glória celeste da alegria, Nos castelos de luz da eternidade!…  *—Vestuário. Espírito Antero de Quental, do livro Relicário de Luz, psicografado por Chico Xavier.  

Autoridade em nós mesmos

Apreciando o problema daqueles que guardam no mundo as diretivas da experiência, não te fixes nos companheiros que trazem consigo a cruz do ouro e do poder.  Recordemos a esquecida autoridade que o Conhecimento Superior determina seja exercida por nós em nós mesmos.  Quase sempre, ensinamos a arte do pensamento nobre, receitando exercícios e regras aos amigos que nos perlustram a senda, guardando o próprio cérebro à feição de barco desgovernado, em cujas brechas ocultas penetram as sugestões da ignorância e da sombra.  Indicamos aos outros recursos e providências para que se mantenham indenes de todo mal, através da pureza dos olhos e dos ouvidos. Empenhando as próprias percepções à triste aventura da leviandade e do desacerto que acaba sempre em crítica indébita ou na azedia destruidora.  Estruturamos planos para a boa palavra naqueles que nos cercam, sem refrearmos o próprio verbo no galope insensato da crueldade, indicamos a fé e esperança para o ânimo alheio, ...

Ao sol do campo

Prossegue, semeador, alçando monte acima, A plantação da fé na gleba da esperança, Ara, semeia, aduba, e, intimorato, avança, Consagrado a servir no sonho que te arrima. Não aguardes lauréis de transitória estima E se a nuvem de angústia e lágrimas te alcança, Deténs na própria fé refúgio e segurança No grande espinheiral de amor que te sublima. Vara vento, granizo, injúria, lama, prova E espalha, aqui e além, a paz que te renova, No tempo a recordar solo vivo e fecundo. Ama, serve e constrói! …Onde lidas e esperas, Trazes contigo a luz dos gênios de outras eras Que promovem, com Cristo, a redenção do mundo. Espírito Auta de Souza, do livro Recanto de Paz, psicografado por Chico Xavier .  

Amor e atração

Dentro da noite fria, o discípulo inquiriu: ̶  Instrutor, como entender a atração do amor? Por que se destroem tantas criaturas, em nome do afeto? O sábio pensou, pensou…   Depois, inclinando a chama da candeia que clareava o recinto, cercada por grande número de mariposas, dentre as quais muitas delas caíam mortas, esclareceu: ̶  Muitos se anulam, em nome do amor, por lhe ignorarem os princípios divinos. Observa as mariposas e a chama. Elas são atraídas pela luz e pelo calor, mas porque não se contentam em se aquecerem para seguir no caminho claro que a luz lhes descortina, tentam absorver toda a chama que, por fim, as consome dentro da própria grandeza...  Espírito Emmanuel, do livro Recados do Além, psicografado por Chico Xavier.  

Remuneração Espiritual

“O lavrador que trabalha deve ser o primeiro a gozar dos frutos.” Paulo – II Timóteo, 2:6. Além do salário amoedado o trabalho se faz invariavelmente, seguido de remuneração espiritual respectiva, da qual salientamos alguns dos itens mais significativos: acende a luz da experiência; ensina-nos a conhecer as dificuldades e problemas do próximo, induzindo-nos, por isso mesmo, a respeitá-lo; promove a autoeducação; desenvolve a criatividade e a noção de valor do tempo; imuniza contra os perigos da aventura e do tédio; estabelece apreço em nossa área de ação; dilata o entendimento; amplia-nos o campo das relações afetivas; atrai simpatia e colaboração; extingue, a pouco e pouco, as tendências inferiores que ainda estejamos trazendo de existências passadas. Quando o trabalho, no entanto, se transforma em prazer de servir, surge o ponto mais importante da remuneração espiritual:  Toda vez que a Justiça Divina nos procura, no endereço exato, para execução das sentenças que lavramos con...