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Mostrando postagens de abril, 2026

A Prece de Cerinto

Senhor de Infinita Bondade. No santuário da oração, marco renovador do meu caminho, não Te peço por mim, Espírito endividado, para quem reservaste os tribunais de Tua Excelsa Justiça. A Tua compaixão é como se fora o orvalho da esperança em minha noite moral, e isto basta, ao revel pecador que tenho sido. Não Te peço, Senhor, pelos que choram. Clamo por Teu amor e benefício dos que fazem as lágrimas. Não Te venho pedir pelos que padecem. Suplico-Te a bênção para todos aqueles que provocam sofrimento. Não Te lembro os fracos da Terra. Recordo-Te quantos se julgam poderosos e vencedores. Não intercedo pelos que soluçam de fome. Rogo-Te amor para os que lhes furtam o pão. Senhor Todo-Bondoso!…  Não Te trago os que sangram de angústia. Relaciono diante de Ti os que golpeiam e ferem. Não Te peço pelos que sofrem injustiças. Rogo-Te pelos empreiteiros do crime. Não Te apresento os desprotegidos da sorte. Sugiro Teu amparo aos que estendem a aflição e a miséria. Não Te imploro mercê pa...

A Reflexão Mental

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Cão-guia - imagem  da internet Quando os Instrutores da Sabedoria preconizam o estudo, não desejam que o aprendiz se intelectualize em excesso, para a volúpia de humilhar os semelhantes com as cintilações da inteligência, e, quando recomendam a meditação, decerto não nos inclinam à ociosidade ou ao êxtase inútil. Referem-se à necessidade de nosso aprimoramento interior para mais vasta integração com a Luz Infinita, porque o reflexo mental vibra em tudo. Nossa alma pode ser comparada a espelho vivo com qualidades de absorção e exteriorização. Recolhe a força da vida em ondas de pensamento a se expressarem através de palavras e atitudes, exemplos e fatos. Refletimos, assim, constantemente, uns nos outros. É pelo reflexo mental que se estabelece o fenômeno da afinidade, desde os reinos mais simples da Natureza. Vemo-lo nos animais que se acasalam, no mesmo tom de simpatia, tanto quanto nas almas que se reúnem na mesma faixa de entendimento. Quando se consolida a amizade entre um ho...

Bocage - soneto I

Vive o homem no mundo sorte dura, Por estranho caminho arremessado, Fero titã cativo a negro fado, Do berço morno à fria sepultura. Triste filho dos céus, de alma perjura, Desprezível Adão acorrentado Ao desterro de sombras do passado, Respira o lodo e chora a desventura! Ao vão orgulho – a esse deus imigo, Altares vãos erige, por vaidade, Que, na treva, o mantém revel mendigo! Por mais altos pregões a fé lhe brade, Traz, desditoso, o cárcere consigo, Atado à Morte em plena Eternidade. Espírito de Manuel Maria de Barbosa du Bocage Pedro Leopoldo, 25 de novembro de 1946. Ensina que o homem é um anjo decaído, em consequência do mau uso que fez de seu livre-arbítrio: tem-se, deste modo, a figura do “pecado original”. Seu passado de culpas arremessou a criatura num mundo infeliz, onde deve expiar suas faltas em duras provas. Infelizmente, em vez de se submeter à dor, que redime, o homem se rebela por orgulho, que lhe agrava a situação, e assim prolonga seu cativeiro no cárcere da matéri...

Em silêncio

“Não servindo à vista, como para agradar aos homens, mas como servos do Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus.” - Paulo. (Efésios, 6:6.) Se sabes, atende ao que ignora, sem ofuscá-lo com a tua luz. Se tens, ajuda ao necessitado, sem molestá-lo com tua posse. Se amas, não firas o objeto amado com exigências. Se pretendes curar, não humilhes o doente. Se queres melhorar os outros, não maldigues ninguém. Se ensinas a caridade, não te trajes de espinhos, para que teu contacto não dilacere os que sofrem. Tem cuidado na tarefa que o Senhor te confiou. É muito fácil servir à vista. Todos querem fazê-lo, procurando o apreço dos homens. Difícil, porém, é servir às ocultas, sem o ilusório manto da vaidade. É por isto que, em todos os tempos, quase todo o trabalho das criaturas é dispersivo e enganoso. Em geral, cuida-se de obter a qualquer preço as gratificações e as honras humanas. Tu, porém, meu amigo, aprende que o servidor sincero do Cristo fala pouco e constrói, cada vez mais, com...

Criação

Deus criou o homem na terra À sua imagem Divina, Mas não falou quando é Que esse trabalho termina. REALIDADE Quem se afasta de Jesus Como sempre tantos vi, Não muda por própria escolha Porque não foge de si. Espírito Cornélio Pires, do livro Trovas do coração, psicografado por Chico Xavier.

Notas de Amor

Há muito ensaio de amor, E amor só vive, a contento, Depois de purificado A fogo de sofrimento. Não zombes se vê caído O coração de quem ama. Brilhante não perde o preço Abandonado na lama. O amor é assim como um sol De grandeza indefinida, Que não dorme, nem descansa No espaço de nossa vida. Amor é devotamento, Nem sempre só bem-querer, Bendito aquele que dá Sem pensar em receber. Não há palavra que conte, Por mais vibre, cante ou brade, A glória do amor perfeito Quando chega à eternidade. Espírito Sabino Batista, do livro Trovas do outro mundo, psicografado por Chico Xavier.  

Pergunta no ar

Em tempo algum, ser-nos-ia lícito subestimar a importância da Ciência na Terra, fonte de conhecimento superior e de segurança para o reconforto e progresso da Civilização.  Entretanto, anotemos:  se a inteligência humana estabelecesse, de inesperado, o intercâmbio do Plano Terrestre com outros mundos da nossa galáxia…   se aproveitasse, de momento, todo o poder das forças cósmicas que a rodeiam…   se empregasse, de improviso, a totalidade das energias solares…   se conseguisse meios para curar qualquer tipo de moléstias que afligem a Humanidade…   se penetrasse as complexidades da embriologia, comandando com segurança as ocorrências mais íntimas da gênese do corpo físico…   se dominasse a velocidade, sem sacrifícios, a ponto de transportar-se, em alguns minutos, de polo à polo do mundo…   se recebesse repentinamente a visita de seres materializados de outros orbes…   se governasse os recursos telepáticos ...

Mediunidade e fé

Quando a prova se aproxima,  Nuvem pairando no ar,  Se a incerteza desanima,  A fé prossegue a esperar.      Jarbas Ramos De ser médium que apareça  Muita pessoa se gaba,  Depois, é a nota travessa:  Começa mas não acaba.      Luiz de Oliveira   Se manténs a fé no amor  Que reténs no coração,  Não procures despertar  A fera da tentação.      Sylvio Fontoura  Por força da Lei Divina,  Cujo vigor jamais cessa,  Onde o fracasso domina  A fé viva recomeça.      Bóris Freire     Desta verdade não saio:  O médium firme na fé  Precisa, qual papagaio,  De uma corrente no pé.      Quintino Cunha  Se afastas obsessores,  Mostra amor nesse despacho:  Um que aparece sozinho  É coco fora do cacho.      Pedro Nonato da Cunha   Serviço em mediunidade  É luta que Deus socorre…  Médi...

Nos serviços de cura

(Recebido Diretamente) NÃO basta rogar ajuda para si.  É indispensável o auxílio aos outros. NÃO vale a revelação de humildade na indefinida repetição dos pedidos de socorro. É preciso não reincidirmos nas faltas. NÃO há grande mérito em solicitarmos perdão diariamente. É necessário desculparmos com sinceridade as ofensas alheias. NÃO há segurança definitiva para nós se apenas fazemos luz na residência dos vizinhos. É imprescindível acendê-las no próprio coração. NÃO nos sintamos garantidos pela certeza de ensinarmos o bem a outrem.  É imperioso cultivá-lo por nossa vez. NÃO é serviço completo a ministração da verdade construtiva ao próximo. Preparemos o coração para ouvi-la de outros lábios, com referência às nossas próprias necessidades, sem irritação e sem revolta. NÃO é integral a medicação para as vísceras enfermas.  É indispensável que não haja ódio e desespero no coração. NÃO adianta o auxílio do Plano Superior, quando o homem não se preocupa em retê-lo.  A...

Saudações

Toda saudação deve basear-se em pensamentos de paz e alegria.  Pense no seu contentamento quando alguém lhe endereça palavras de afeto e simpatia, e faça o mesmo para com os outros.  Mobilize o capital do sorriso e observará que semelhante investimento lhe trará precioso rendimento de colaboração e felicidade.  Uma frase de bondade e compreensão opera prodígios na construção do êxito.  Auxilie aos familiares com a sua palavra de entendimento e esperança.  Se você tem qualquer mágoa remanescendo da véspera, comece o dia, à maneira do Sol — esquecendo a sombra e brilhando de novo.  Espírito André Luiz, do livro Sinal Verde, psicografado por Chico Xavier.  

Sinais de rumo

As perguntas chegam até nós tão confiantemente vestidas de sinceridade que não seria justo desconhecê-las. De que modo se conquista a tranquilidade, no Mais Além? Como desvencilhar-se a criatura das paixões que, por vezes, lhe agrilhoam o espírito às dificuldades terrestres? Qual a senda justa em que a infância possa ser conduzida a futuro melhor? Em que faixa da existência consegue a maturidade maiores recursos para a sublimação própria? Que fazer para que o lar se faça mais feliz? Que atitudes adotar para o encontro com o equilíbrio íntimo? Como interpretar as dissensões em família? Onde o processo de extinguir o ódio que impõe tantos males à espécie humana? Em que diretrizes consegue a pessoa vencer a si mesma, ante a necessidade do autoaperfeiçoamento? Onde os meios de entender a dor e aceitá-la, a benefício próprio? Em que lugar descobrir a trilha de elevação? Leitor amigo, para os feixes de indagações quais estas, que recebemos constantemente de companheiros corporificados na ...

Provas da virtude

A riqueza material é chamada na Terra a provas características.  Quando não se associa ao trabalho e ao progresso, à educação ou à beneficência, perde nos exames da vida, rebaixando-se à condição de avareza.  A virtude é também constantemente intimada a testes que lhe confirmem o valor.  Que será do ignorante sem professor que o instrua; do enfermo sem alguém que o assista com o remédio necessário; do cego sem guia; da criança absolutamente desvalida de apoio com que se lhe dê orientação?  Se já te equilibraste, do ponto de vista do sentimento e do raciocínio, detendo a possibilidade de conservares o pensamento reto, por cima dos próprios ombros, compadece-te dos irmãos que ainda não te alcançaram a eminência espiritual e ampara-lhes o reajuste, em bases de simpatia e cooperação.  Recorda que Deus a ninguém desampara. E semelhante princípio começa a patentear-se nos departamentos mais simples da natureza.  A roseira é um emaranhado de espinhos ornamentad...

O homem ante a vida

No crepúsculo da civilização em que rumamos para a alvorada de novos milênios, o homem que amadureceu o raciocínio supera as fronteiras da inteligência comum e acorda, dentro de si mesmo, com interrogativas que lhe incendeiam o coração. Quem somos? Donde viemos?  Onde a estação de nossos destinos? À margem da senda em que jornadeia, surgem os escuros estilhaços dos ídolos mentirosos que adorou e, enquanto sensações de cansaço lhe assomam à alma enfermiça, o anseio da vida superior lhe agita os recessos do ser, qual braseiro vivo do ideal, sob a espessa camada de cinzas do desencanto. Recorre à sabedoria e examina o microcosmo em que sonha. Reconhece a estreiteza do círculo em que respira. Observa as dimensões diminutas do Lar Cósmico em que se desenvolve. Descobre que o Sol, sustentáculo de sua apagada residência planetária, tem um volume de 1.300.000 vezes maior que o dela. Aprende que a Lua, insignificante satélite do seu domicílio, dista mais de 380.000 quilômetros do mundo q...

Aborto delituoso

Reunião pública de 9/1/59 Questão nº 358 Comovemo-nos, habitualmente, diante das grandes tragédias que agitam a opinião. Homicídios que convulsionam a imprensa e mobilizam largas equipes policiais…  Furtos espetaculares que inspiram vastas medidas de vigilância…  Assassínios, conflitos, ludíbrios e assaltos de todo jaez criam a guerra de nervos, em toda parte e, para coibir semelhantes fecundações de ignorância e delinquência, erguem-se cárceres e fundem-se algemas, organiza-se o trabalho forçado e em algumas nações a própria lapidação de infelizes é praticada na rua, sem qualquer laivo de compaixão. Todavia, um crime existe mais doloroso, pela volúpia de crueldade com que é praticado, no silêncio do santuário doméstico ou no regaço da Natureza…  Crime estarrecedor, porque a vítima não tem voz para suplicar piedade e nem braços robustos com que se confie aos movimentos da reação. Referimo-nos ao aborto delituoso, em que pais inconscientes determinam a morte dos próprio...

Alma e Corpo

Disse a Alma, chorando, ao Corpo aflito: —Por que me prendes, triste barro escuro, Se busco o Espaço imenso, se procuro O império resplendente do infinito? Por que me deste a dor por sambenito* No caminho terrestre áspero e duro? Por que me algemas a sinistro muro, O coração cansado, ermo e proscrito? Mas o Corpo exclamou: – Cala-te e ama! Eu sou, na Terra, a cruz de cinza e lama Que te serve de ninho, templo e grade…  Mas dos meus braços partirás, um dia, Para a glória celeste da alegria, Nos castelos de luz da eternidade!…  *—Vestuário. Espírito Antero de Quental, do livro Relicário de Luz, psicografado por Chico Xavier.  

Autoridade em nós mesmos

Apreciando o problema daqueles que guardam no mundo as diretivas da experiência, não te fixes nos companheiros que trazem consigo a cruz do ouro e do poder.  Recordemos a esquecida autoridade que o Conhecimento Superior determina seja exercida por nós em nós mesmos.  Quase sempre, ensinamos a arte do pensamento nobre, receitando exercícios e regras aos amigos que nos perlustram a senda, guardando o próprio cérebro à feição de barco desgovernado, em cujas brechas ocultas penetram as sugestões da ignorância e da sombra.  Indicamos aos outros recursos e providências para que se mantenham indenes de todo mal, através da pureza dos olhos e dos ouvidos. Empenhando as próprias percepções à triste aventura da leviandade e do desacerto que acaba sempre em crítica indébita ou na azedia destruidora.  Estruturamos planos para a boa palavra naqueles que nos cercam, sem refrearmos o próprio verbo no galope insensato da crueldade, indicamos a fé e esperança para o ânimo alheio, ...

Ao sol do campo

Prossegue, semeador, alçando monte acima, A plantação da fé na gleba da esperança, Ara, semeia, aduba, e, intimorato, avança, Consagrado a servir no sonho que te arrima. Não aguardes lauréis de transitória estima E se a nuvem de angústia e lágrimas te alcança, Deténs na própria fé refúgio e segurança No grande espinheiral de amor que te sublima. Vara vento, granizo, injúria, lama, prova E espalha, aqui e além, a paz que te renova, No tempo a recordar solo vivo e fecundo. Ama, serve e constrói! …Onde lidas e esperas, Trazes contigo a luz dos gênios de outras eras Que promovem, com Cristo, a redenção do mundo. Espírito Auta de Souza, do livro Recanto de Paz, psicografado por Chico Xavier .  

Amor e atração

Dentro da noite fria, o discípulo inquiriu: ̶  Instrutor, como entender a atração do amor? Por que se destroem tantas criaturas, em nome do afeto? O sábio pensou, pensou…   Depois, inclinando a chama da candeia que clareava o recinto, cercada por grande número de mariposas, dentre as quais muitas delas caíam mortas, esclareceu: ̶  Muitos se anulam, em nome do amor, por lhe ignorarem os princípios divinos. Observa as mariposas e a chama. Elas são atraídas pela luz e pelo calor, mas porque não se contentam em se aquecerem para seguir no caminho claro que a luz lhes descortina, tentam absorver toda a chama que, por fim, as consome dentro da própria grandeza...  Espírito Emmanuel, do livro Recados do Além, psicografado por Chico Xavier.  

Remuneração Espiritual

“O lavrador que trabalha deve ser o primeiro a gozar dos frutos.” Paulo – II Timóteo, 2:6. Além do salário amoedado o trabalho se faz invariavelmente, seguido de remuneração espiritual respectiva, da qual salientamos alguns dos itens mais significativos: acende a luz da experiência; ensina-nos a conhecer as dificuldades e problemas do próximo, induzindo-nos, por isso mesmo, a respeitá-lo; promove a autoeducação; desenvolve a criatividade e a noção de valor do tempo; imuniza contra os perigos da aventura e do tédio; estabelece apreço em nossa área de ação; dilata o entendimento; amplia-nos o campo das relações afetivas; atrai simpatia e colaboração; extingue, a pouco e pouco, as tendências inferiores que ainda estejamos trazendo de existências passadas. Quando o trabalho, no entanto, se transforma em prazer de servir, surge o ponto mais importante da remuneração espiritual:  Toda vez que a Justiça Divina nos procura, no endereço exato, para execução das sentenças que lavramos con...

O espelho da vida

A mente é o espelho da vida em toda parte.  Ergue-se na Terra para Deus, sob a égide do Cristo, à feição do diamante  bruto, que, arrancado ao ventre obscuro do solo, avança, com a orientação do lapidário, para a magnificência da luz.  Nos seres primitivos, aparece sob a ganga do instinto, nas almas humanas surge entre as ilusões que salteiam a inteligência, e revela-se nos Espíritos Aperfeiçoados por brilhante precioso a retratar a Glória Divina.  Estudando-a de nossa posição espiritual, confinados que nos achamos entre a animalidade e a angelitude, somos impelidos a interpretá-la como sendo o campo de nossa consciência desperta, na faixa evolutiva em que o conhecimento adquirido nos permite operar.  Definindo-a por espelho da vida, reconhecemos que o coração lhe é a face e que o cérebro é o centro de suas ondulações, gerando a força do pensamento que tudo move, criando e transformando, destruindo e refazendo para acrisolar e sublimar.  Em todos os domí...

Pequenas regras de desobsessão

Procure:  mais do que saber – dominar-se;  mais do que agir – elevar;  mais do que estudar – aprender;  mais do que pensar – discernir;  mais do que falar – educar;  mais do que aconselhar – servir;  mais do que escutar – compreender;  mais do que perdoar – amparar;  mais do que sofrer – resignar-se;  mais do que amar – sublimar.  Quando nos expressamos, usando o modo imperativo do verbo, não queremos dizer que nós outros, – os amigos domiciliados no Mais Além, estejamos a cavaleiro dos obstáculos e dificuldades que oneram os companheiros do mundo.  Todos estamos ainda vinculados à Terra. E, na Terra, tanto adoece o cientista que cria o remédio, em favor dos enfermos, quanto os clientes que lhe desfrutam os recursos da inteligência; tanto carrega problemas o professor que ensina, quanto o aprendiz que se lhe beneficia do apoio cultural. Assim também na desobsessão. Todos os apontamentos que se relacionam com o assunto tanto ...

Caridade recíproca

É preciso compreender a caridade no sentido real.  Comumente, o benfeitor ignora quanto deve àqueles a quem beneficia.  Qualquer migalha de socorro aos necessitados, sempre que iluminada de amor, é doação significativa, mas a cooperação dos necessitados em auxílio aos que lhes prestam apoio, é serviço de importância inestimável.  Os irmãos em penúria, quando pacientes, ensinam calma e compreensão; os enfermos, valorosos na fé, lecionam aceitação e humildade; quem estende perdão aos ofensores, auxilia-os na renovação para o bem; e quem ama sem nada exigir, constrói, em silêncio, o reino do entendimento maior no íntimo daqueles que se lhes fazem amados, ainda mesmo quando se mostrem indiferentes.  Diz-nos a sabedoria evangélica: “melhor é dar que receber”.  Isso acontece porque os que praticam a beneficência e a tolerância colhem benefícios espirituais que não poderiam adquirir em lugar algum.  Espírito Emmanuel, do livro Paz, psicografado por Chico Xavier...

Mãos à obra

“Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação.” – Paulo. (1ª Epístola aos Coríntios, 14:26.) A igreja de Corinto lutava com certas dificuldades mais fortes, quando Paulo lhe escreveu a observação aqui transcrita. O conteúdo da carta apreciava diversos problemas espirituais dos companheiros do Peloponeso, mas podemos insular o versículo e aplicá-lo a certas situações dos novos agrupamentos cristãos, formados no ambiente do Espiritismo, na revivescência do Evangelho. Quase sempre notamos intensa preocupação nos trabalhadores, por novidades em fenomenologia e revelação. Alguns núcleos costumam paralisar atividades quando não dispõem de médiuns adestrados. Por quê? Médium algum solucionará, em definitivo, o problema fundamental da iluminação dos companheiros. Nossa tarefa espiritual seria absurda se estivesse circunscrita à frequência mecânica de muitos, a um centro qualquer, simple...

Trago-lhe o meu adeus sem prometer voltar breve

Apreciando, em 1932, o “Parnaso de Além-túmulo”, que os poetas desencarnados mandaram ao mundo por intermédio de você, chamei a atenção dos estudiosos para a incógnita que o seu caso apresentava. Os estudiosos, certamente, não apareceram. Deixando, porém, o meu corpo minado por uma hipertrofia renitente, lembrei-me do acontecimento. Julgara eu que os bardos “do outro mundo”, com a sua originalidade estilar, se comprometiam pela eternidade da produção, no falso pressuposto de que se pudessem identificar por outra forma. Encontrando ensejo para me fazer ouvir, através de suas mãos, escrevi essas crônicas póstumas que o Sr. Frederico Figner transcreveu nas colunas do “Correio da Manhã”. Não imaginei que o humilde escritor desencarnado estivesse ainda na lembrança de quantos o viram desaparecer. E as minhas palavras provocaram celeuma. Discutiu-se e ainda se discute. Você foi apresentado como hábil fazedor de pastiches e os noticiaristas vieram averiguar o que havia de verdadeiro em tor...

Recomecemos

"Ninguém põe remendo de pano novo em vestido velho." - Jesus. (Mateus, 9:16.) Não conserves lembranças amargas.  Viste o sonho desfeito.  Escutaste a resposta de fel.  Suportaste a deserção dos que mais amas.  Fracassaste no empreendimento.  Colheste abandono.  Padeceste desilusão.  Entretanto, recomeçar é bênção na Lei de Deus.  A possibilidade da espiga ressurge na sementeira.  A água, feita vapor, regressa da nuvem para a riqueza da fonte.  Torna o calor da primavera, na primavera seguinte.  Inflama-se o horizonte, cada manhã, com o fulgor do Sol, reformando o valor do dia.  Janeiro a Janeiro, renova-se o ano, oferecendo novo ciclo ao trabalho.  É como se tudo estivesse a dizer : “Se quiseres, podes recomeçar”.  Disse, porém, o Divino Amigo que ninguém aproveita remendo novo em pano velho.  Desse modo, desfaze-te do imprestável.  Desvencilha-te do inútil.  Esquece os enganos que te assaltaram....

Como perdoar

Na maioria dos casos, o impositivo do perdão surge entre nós e os companheiros de nossa intimidade, quando o suco adocicado da confiança se nos azeda no coração. Isso acontece porque, geralmente, as mágoas mais profundas repontam entre os Espíritos vinculados uns aos outros na esteira da convivência. Quando nossas relações adoeçam, no intercâmbio com determinados amigos que, segundo a nossa opinião pessoal, se transfiguram em nossos opositores, perguntemo-nos com sinceridade: “Como perdoar se perdoar não se resume à questão de lábios e sim a problema que afeta os mais íntimos mecanismos do sentimento?” Feito isso, demo-nos pressa em reconhecer que as criaturas em desacerto pertencem a Deus e não a nós; que também temos erros a corrigir e reajustes em andamento; que não é justo retê-las em nossos pontos de vista, quando estão, qual nos acontece, sob os desígnios da Divina Sabedoria que mais convém a cada um, nas trilhas do burilamento e do progresso.   Em seguida, recordemos...

O arado

“E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás é apto para o reino de Deus.” – Lucas, 9:62. Aqui, vemos Jesus utilizar na edificação do Reino Divino um dos mais belos símbolos. Efetivamente, se desejasse, o Mestre criaria outras imagens. Poderia reportar-se às leis do mundo, aos deveres sociais, aos textos da profecia, mas prefere fixar o ensinamento em bases mais simples. O arado é aparelho de todos os tempos. É pesado, demanda esforço de colaboração entre o homem e a máquina, provoca suor e cuidado e, sobretudo, fere a terra para que produza. Constrói o berço das sementeiras e, à sua passagem, o terreno cede para que a chuva, o sol e os adubos sejam convenientemente aproveitados. É necessário, pois, que o discípulo sincero tome lições com o Divino Cultivador, abraçando-se ao arado da responsabilidade, na luta edificante, sem dele retirar as mãos, de modo a evitar prejuízos graves à “terra de si mesmo”. Meditemos nas oportunidades perdidas, nas chuvas de miser...