Perigo
Cada vez que a irritação te assoma aos escaninhos da mente, segues renteando sinal de perigo. Mesmo que tudo pareça conspirar em teu prejuízo, não convertas a emoção em bomba de cólera a explodir-te na boca. Desequilíbrio que anotes é apelo da vida a que lhe prestes cooperação. Quando as águas, em monte, investem furiosas sobre a faixa de solo que te serve de habitação, levantas o dique, capaz de governar-lhe os impulsos. Diante do fogo que te ameaça, recorres, de pronto, aos extintores de incêndio. Toda vez que o curto-circuito reponta na rede elétrica, desligas a tomada de força para que a energia descontrolada não opere a destruição. Assim também, quando a prova te visite, não transfigures a língua em chicote dos semelhantes. Se agressões verbais te espancam os ouvidos, ergue a muralha do dever fielmente executado, em que te defendas contra o assalto da injúria. Se a calúnia te alanceia, guarda-te em paz, no refúgio de prece. Se a dignidade ofendida, dentro de ti, surge transformada...