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Perigo

Cada vez que a irritação te assoma aos escaninhos da mente, segues renteando sinal de perigo. Mesmo que tudo pareça conspirar em teu prejuízo, não convertas a emoção em bomba de cólera a explodir-te na boca. Desequilíbrio que anotes é apelo da vida a que lhe prestes cooperação. Quando as águas, em monte, investem furiosas sobre a faixa de solo que te serve de habitação, levantas o dique, capaz de governar-lhe os impulsos. Diante do fogo que te ameaça, recorres, de pronto, aos extintores de incêndio. Toda vez que o curto-circuito reponta na rede elétrica, desligas a tomada de força para que a energia descontrolada não opere a destruição. Assim também, quando a prova te visite, não transfigures a língua em chicote dos semelhantes. Se agressões verbais te espancam os ouvidos, ergue a muralha do dever fielmente executado, em que te defendas contra o assalto da injúria. Se a calúnia te alanceia, guarda-te em paz, no refúgio de prece. Se a dignidade ofendida, dentro de ti, surge transformada...

Auxiliemos

Aprende a usar a benção de amor que Jesus depositou em teu coração, sob a forma de conhecimento superior, a fim de que a Bondade Celeste não esteja brilhando em vão contigo. Recorda que o Divino Médico não veio ao mundo para salvar os sãos. Assim sendo: não lances o fel envenenado da crítica sobre as úlceras do teu irmão atribulado; não arrojes combustível ao incêndio que lavra no templo doméstico do teu vizinho em provação; não sondes com o espinho de tua curiosidade malevolente a chaga que intoxica o corpo doente do próximo, e nem projetes pó e cinza de malícia sobre os olhos enfermos dos semelhantes, a pretexto de convidá-los à defensiva… Aprendamos, sobretudo, a ajudar… A praça pública vive sempre repleta de juízes e observadores sem comiseração. Em toda parte, sobram aqueles que se sentem dispostos a discutir, confundir, desconfiar e apedrejar… É por isso que Jesus em nos enriquecendo a existência com a claridade dos seus inolvidáveis ensinamentos, conferiu-nos, acima de tudo, a t...

Compaixão sempre

“Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; soltai e soltar-vos-ão.” JESUS, LUCAS, 6:37. “Não esqueçais, meus queridos filhos, que o amor aproxima de Deus a criatura e o ódio a distancia dele.” Fénelon, Bordeaux, 1861. Cap. 12, 10.  Perante o companheiro que te parece malfeitor, silencia e ampara sempre. Assim como existem pessoas, aparentemente sadias, carregando enfermidades que apenas no futuro se farão evidentes para a intervenção necessária, há criaturas supostamente normais, portadoras de estranhos desequilíbrios, aos quais se lhes debitam os gestos menos edificantes. Compadece-te, pois, e estende os braços para a obra do auxílio. Muitos daqueles que tombaram na indisciplina e na violência, acabando segregados nas casas de tratamento moral, guardam consigo os braseiros de angústia que lhes foram impostos, em dolorosos processos obsessivos, pelas mãos imponderáveis dos adversários desencarnados de outras existências…  E quase todos os que e...

Compaixão e socorro / Compassion and help

“Amai, pois, a vossos inimigos…” — JESUS, Lucas, 6:35. “Se o amor do próximo constitui o princípio da caridade, amar os inimigos é a mais sublime aplicação desse princípio, porquanto a posse de tal virtude representa uma das maiores vitórias alcançadas contra o egoísmo e o orgulho.” — Cap. XII: 3. Não apenas os nossos adversários costumam cair. É preciso entender que as situações constrangedoras não aparecem unicamente diante daqueles que não nos comungam os ideais, cujas deficiências, por isso mesmo, estamos naturalmente inclinados a procurar e reconhecer. As criaturas que mais amamos também erram, como temos errado e adquirem compromissos indesejáveis, como, tantas vezes, temos nós abraçado problemas difíceis de resolver. E todos eles, — os irmãos que resvalam na estrada, — decerto pedem palavras que os esclareçam e braços que os levantem. Tanto quanto nós, na travessia das trevas interiores, quando as trevas interiores nos tomam de assalto, reclamam compaixão e socorro, em invés de ...

O homem com Jesus

“Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos.” – Paulo. Filipenses, 4:4. Com Jesus, ergue-se o Homem: Das trevas à luz… Da inércia ao serviço… Da ignorância à sabedoria… Do instinto à razão… Da força ao direito… Do egoísmo à fraternidade… Da tirania à compaixão… Da violência ao entendimento… Do ódio ao amor… Da posse mentirosa à procura dos bens imperecíveis… Da conquista sanguinolenta à renúncia edificante… Da extorsão à justiça… Da dureza à piedade… Da palavra vazia ao verbo criador… Da monstruosidade à beleza… Do vício à virtude… Do desequilíbrio à harmonia… Da aflição ao contentamento… Do pântano ao monte… Do lodo à glória… Homem, meu irmão, regozijemo-nos em plena luta redentora! Que píncaros de angelitude poderemos alcançar se nos consagrarmos realmente ao Divino Amigo que desceu e se humilhou por nós? Emmanuel, do livro Pão Nosso psicografado por Chico Xavier

Ante a Justiça

Muitas vezes, enquanto na Terra, sentimo-nos vitimados pelo destino e clamamos pela justiça do Céu.  Se a aflição, porém, te constringe a garganta qual golilha de brasas, contempla, em torno, aqueles que conhecendo a Lei, abusam das faculdades e talentos que a vida lhes emprestou e estendem, ao redor do caminho, o pranto da desolação e o hálito da morte.  Observa os que acumulam dinheiro criando os tormentos da fome, os que se valem do poder temporário implantando a revolta e a penúria, os que aproveitam a inteligência para ferir e os que mobilizam a mocidade, instilando no próximo o desencanto e a loucura…  Repara como sorriem agora qual se o mundo lhes pertencesse, entretanto, amanhã, fanar-se-lhes-á repentinamente do domínio para encontrarem, de frente, a necessidade do reajuste nos institutos da Contabilidade Celeste.  Identifica-os hoje, quais se mostram, e lembra-te de que talvez foste também assim no pretérito – no pretérito que a Misericórdia de Deus te permi...