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Em Ação de Graças

Por que razão continuam os mortos a escrever para os vivos? Não sabem outra coisa? Com a difusão do Espiritismo, recrudesceu a reação do comodismo. Algumas escolas religiosas, interessadas no “deixa estar como está para ver como fica”, ensinam que os mortos não voltam e, embora exaltem a divindade do Espírito, apregoam que o homem é simplesmente pó e que em pó se tornará. Por isso, as criaturas mais generosas deitam algumas pitadinhas de poeira sobre os cadáveres dos amigos, quando a carne volve à comunhão mais íntima com a Natureza, e, se consagram verdadeira afeição ao morto, mandam repetir nos sepulcros o velho epitáfio – “que a terra te seja leve”. Os companheiros mais sérios, terminado o funeral, ainda leem algumas linhas do Eclesiastes, no capítulo em que o profeta alude às cinzas das vaidades humanas; entretanto, mesmo esses, no dia seguinte, entram no gracioso cordão das anedotas biográficas do extinto. Há sempre alguma coisa engraçada a recordar. Quando voltam, eventualmente, ...