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Perigos

Guarda a própria alma na compreensão e na bondade para com todos, a fim de que o amor te preserve as fontes da vida. Muitos companheiros atravessam o campo humano, receando calamidades exteriores, amplamente desprevenidos contra os flagelos do mundo íntimo. Temem o fogo terrestre que a água consome e não se precatam contra o incêndio da discórdia que lhes destrói o templo doméstico. Apavoram-se diante de profetas inconsequentes, nada compatíveis com a misericórdia que nos preside a existência, e adormecem, desavisados, à frente dos deveres que a vida lhes confiou. Amedrontam-se, perante a bala mortífera que assalta o corpo frágil e perecível e entregam-se ao vírus da calúnia que lhes corrompe os tecidos sutis da alma. Recuam, espavoridos, ante a infestação da varíola ou do tifo que a medicina combate com segurança e aceitam sem murmurar as sugestões da preguiça e da indisciplina que lhes atormentam as horas. Referem-se a perigos remotos que talvez jamais lhes visitem a estrada e caminh...

O Reino de Deus está próximo

Muitas vezes, disse-nos o Senhor: —“O Reino de Deus está próximo.” E até hoje milhares de criaturas aguardam-lhe a vinda, através de espetaculosos eventos exteriores. Muitos esperam-no, por intermédio de cataclismos inomináveis e mentalizam telas fantasmagóricas, incompatíveis com a Divina Misericórdia que nos preside os destinos… Trovões ribombando no firmamento… Maremotos e terremotos… Raios destruidores a se derramarem do céu… Multidões amotinadas promovendo devastações e ruínas… Fluidos comburentes na atmosfera, transformando-a em fogo devorador… Bombas fulminantes aniquilando nações inteiras… E contam, quase sempre, com o absurdo e com o fantástico, para que se sintam no portal da grande transformação. Sem dúvida que semelhantes flagelos podem sobrevir a qualquer momento na experiência das criaturas e no campo da natureza, contudo, longe de significarem o Reino Divino apenas revelam imperativos de nova luta e com serviço mais áspero para quantos se enfileiram nos quadros evolutivo...

O Remédio Justo

“Bem-aventurados os que choram porque serão consolados.” - JESUS – Mateus, 5: 4. Por estas palavras: “Bem-aventurados os aflitos, pois que serão consolados”, Jesus aponta a compensação que hão de ter os que sofrem e a resignação que leva o padecente a bendizer do sofrimento, como prelúdio da cura. Cap. V, 12. Perguntas, muitas vezes, pela presença dos espíritos guardiões, quando tudo indica, que forcas contrárias às tuas noções de segurança e conforto, comparecem, terríveis, nos caminhos terrestres. Desastres, provações, enfermidades e flagelos inesperados arrancam-te indagações aflitivas. Onde os amigos desencarnados que protegem as criaturas? Como não puderam prevenir certos transes que te parecem desoladoras calamidades? Se aspiras, no entanto, a conhecer a atitude moral dos espíritos benfeitores, diante dos padecimentos desse matiz, consulta os corações que amam verdadeiramente na Terra. Ausculta o sentimento das mães devotadas que bendizem com lágrimas as grades do manicômio para ...

Fome e ignorância

Atentos ao impositivo do estudo, a fim de que a luz do entendimento nos ensine a caminhar com segurança e a viver proveitosamente, estabeleçamos alguns confrontos entre a fome e a ignorância – dois dos grandes flagelos da Humanidade. A fome ameniza o corpo. A ignorância obscurece a alma. A fome atormenta. A ignorância anestesia. A fome protesta. A ignorância ilude. A fome cria aflições imediatas. A ignorância cria calamidades remotas. A fome é crise gritante. A ignorância é problema enquistado. Em todos os lugares, vemos o faminto e o ignorante em atitudes diversas. O faminto trabalha afanosamente na conquista do pão. O ignorante é indiferente à posse da luz. O faminto reconhece a própria carência. O ignorante não se define. O faminto aparece. O ignorante oculta-se. O faminto anuncia a própria necessidade. O ignorante engana a si mesmo. Qualquer pessoa pode atender à fome. Raras criaturas, porém, conseguem socorrer a ignorância. Para sanar a fome, basta estender pão. Para extinguir a i...

Provação e fé

Os momentos das grandes provações são igualmente os instantes mais significativos da fé. Terás talvez alcançado o apogeu de semelhantes tribulações. Encontrastes esse topo do sofrimento na enfermidade que provavelmente se demora contigo, flagelando-te a vida orgânica. Criaturas queridas se desvincularam de ti, violentamente, arrojando-te à inquietação e ao desânimo. Sofreste a perda de entes amados nas brumas da morte e trazes o coração encharcado de lágrimas. Golpearam-te os interesses e despojaram-te dos recursos indispensáveis à própria manutenção, compelindo-te a vaguear em tristeza e penúria. Empenhaste as melhores forças na causa do bem de todos e situaram-te num cipoal de incompreensões e desafetos gratuitos que te prendem à dor. É possível hajas atingido esses dias de conflitos e aflições, tumultuando-te o ser. Mágoas novas somadas a desgostos antigos te atormentam o campo íntimo. Seja qual seja a espécie de provação que te visita, não te rebeles, nem desanimes. Não te deixes m...