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O Grupo Perfeito

O Espírito de Júlio Marques comandava o pequeno agrupamento com critério e bondade. Condutor paciente do diminuto rebanho de companheiros espíritas-cristãos. Duas vezes por semana, incorporado na médium Dona Maria Paula, orientava os amigos na atividade evangélica. Ternura aliada à experiência, firmeza conjugada à abnegação. Conflitos e dificuldades morais ecoavam nele de modo particular, arrancando-lhe palavras iluminadas de benevolência e candura, a deslizarem nas alheias feridas por bálsamo de esperança. Numa das noites em que lhe compartilhávamos a responsabilidade, à feição de apagado trabalhador da retaguarda, notamos a presença de jovem senhora na assistência. Identificava-se por Dona Clara. Dama inteligente, distinta. Punha os pensamentos à mostra na conversação espontânea. Insatisfeita. Inquiridora. Tão logo notou Marques encerrando o comentário edificante, pespegou-lhe interrogação a queima roupa: —Irmão Júlio, posso pedir-lhe uma orientação? O interpelado respondeu humilde: ...

Abnegação dos heróis

A conversação entre os amigos desencarnados que nos integram a equipe de viagem prosseguia, animada, ontem à noite, quando Luís Garcia, um amigo espiritual procedente da Espanha, falou, excitado: —O que estraga o movimento espírita, no mundo inteiro, são os traidores da doutrina, os mercadores da mediunidade, os leitores de fenômenos, os caixeiros das trevas, fantasiados de espíritos de luz…   Mas Pierre Bazin, um confrade francês, aproveitou as reticências e opinou: —Caro Garcia, você está certo, certíssimo. Os que abusaram da faculdade e recursos sagrados, a detrimento do Espiritismo, nos fizeram e nos fazem ainda imenso mal; no entanto, você e nós não podemos esquecer os milhares de médiuns e companheiros outros de nossa Causa que triunfaram, brilhantemente, nos seus deveres, perante a Espiritualidade Maior – no último século – o primeiro de nossas atividades. A sociedade humana não lhes enxergou o trabalho, o devotamento, a humildade, o sacrifício…   Passaram, aos milhares...

Abnegação

No estudo da abnegação, fitemos em Cristo o exemplo máximo. Emissário de Deus entre os homens, podia exigir um palácio para nascer, mas preferiu asilar-se no abrigo dos animais. Podia frequentar, na meninice, os mais altos grêmios filosóficos e religiosos da nação que o contava entre os seus; todavia, preferiu as rudes experiências da carpintaria de Nazaré. Podia aderir aos programas de dominação dos maiorais em Jerusalém, impondo-lhes a sua própria condição de missionário excepcional; entretanto, preferiu incorporar-se ao trabalho de pescadores humildes, revelando-se a eles sem violência. Podia escolher as damas ilustres para entreter-se, com elas, acerca do Reino de Deus, através de tertúlias afetivas no terraço de casas nobres; contudo, preferiu entender-se com as mulheres simples do povo, sem esquecer a filha de Magdala, submetida aos flagelos da humilhação. Podia insinuar-se no ambiente mais íntimo de Caifás ou Pilatos e agradar-lhes a parentela para ganhar influência; no entanto,...