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Mostrando postagens com o rótulo revolta

A arma infalível

Certo dia, um homem revoltado criou um poderoso e longo pensamento de ódio, colocou-o numa carta rude e malcriada e mandou-o para o chefe da oficina de que fora despedido. O pensamento foi vazado em forma de ameaças cruéis. E quando o diretor do serviço leu as frases ingratas que o expressava, acolheu-o, desprevenidamente, no próprio coração, e tornou-se furioso sem saber porquê. Encontrou, quase de imediato, o subchefe da oficina e, a pretexto de enxergar uma pequena peça quebrada, desfechou sobre ele a bomba mental que trazia consigo. Foi a vez do subchefe tornar-se neurastênico, sem dar o motivo. Abrigou a projeção maléfica no sentimento, permaneceu amuado várias horas e, no instante do almoço, em invés de alimentar-se, descarregou na esposa o perigoso dardo intangível. Tão só por ver um sapato imperfeitamente engraxado, proferiu dezenas de palavras feias; sentiu-se aliviado e a mulher passou a asilar no peito a odienta vibração, em forma de cólera inexplicável. Repentinamente trans...

Amor

O Amor, sublime impulso de Deus, é a energia que move os mundos: Tudo cria, tudo transforma, tudo eleva. Palpita em todas as criaturas. Alimenta todas as ações. O ódio é o Amor que se envenena. A paixão é o Amor que se incendeia. O egoísmo é o Amor que se concentra em si mesmo. O ciúme é o Amor que se dilacera. A revolta é o Amor que se transvia. O orgulho é o Amor que enlouquece. A discórdia é o Amor que divide. A vaidade é o Amor que ilude. A avareza é o Amor que se encarcera. O vício é o Amor que se embrutece. A crueldade é o Amor que tiraniza. O fanatismo é o Amor que petrifica. A fraternidade é o Amor que se expande. A bondade é o Amor que se desenvolve. O carinho é o Amor que se enflora. A dedicação é o Amor que se estende. O trabalho digno é o Amor que aprimora. A experiência é o Amor que amadurece. A renúncia é o Amor que se ilumina. O sacrifício é o Amor que se santifica. O Amor é o clima do Universo. É a religião da vida, a base do estímulo e a força da Criação. Ao seu influx...

O maior problema

O homem é o centro. O mundo é a periferia. Todas as questões políticas e administrativas, todos os enigmas sociológicos e passionais, que espalham na Terra as mais constrangedoras crises de espíritos, dependem da solução de um problema único para serem convenientemente decifrados – o problema do reajuste da nossa própria alma ante as Leis Divinas. Não há um Mestre ausente da escola do mundo, mas sim aprendizes que fogem indefinidamente à lição. O Senhor não menospreza os tutelados que lhe aguardam a proteção, mas como atender ao impositivo da comunhão se nos afastamos, sistematicamente, d’Aquele que é a luz de nossos destinos? Pulverizemos as cristalizações de egoísmo e orgulho, vaidade e revolta que nos inibem a visão espiritual. Desatulhemos o santuário íntimo, ocupado por inutilidades e ilusões e a luz divina penetrar-nos-á o coração, determinando novas atitudes à vida consciencial. Somos, ainda, em nosso estágio evolutivo, quando confrontados com a inteligência Perfeita que nos reg...

Se Soubesses…

Se soubesses quão venenoso é o conteúdo de fel a tisnar o cálice da aversão, decerto compreenderias que todo golpe de crueldade não é senão desafio à tua capacidade de entendimento. Se soubesses a trama de sombra que freme, perturbadora em torno da palavra infeliz que proferes, na crítica à luta alheia, preferirias amargar no silêncio as feridas de tua mágoa, esperando que o tempo lhes ofereça a necessária medicação. Se soubesses a quantidade dos crimes, oriundos da revolta e da queixa, escolherias padecer toda sorte de sofrimento antes que reclamar consideração e justiça em teu próprio favor. Se soubesses a multidão de males que a vingança provoca, esquecerias sem custo os braseiros de dor que a calúnia te arremessa à existência. Lembra-te de que o ódio é o grande fornecedor das prisões e de que a cólera é responsável pela maior parte das moléstias que infelicitam a vida e guarda o coração na grande serenidade, se te propões conservar em ti mesmo o tesouro da paz e a bênção da seguran...

Jesus e oração

Na pobreza da manjedoura, vemos a primeira oração do ambiente de Cristo, exalçando a humildade. Expulso de cada lar da cidade a que se acolhe, o Excelso Embaixador, em invés de inspirar amargura e revolta, sugere aos que O rodeiam o cântico de louvor a Deus e da paz que alcance todas as criaturas. Desde então, mantém a prece no caminho, expressando obediência a Deus e amor aos semelhantes. Começa o ministério, prestigiando a ventura da comunhão doméstica nas Bodas de Caná e ora sempre, no alarido da praça ou na calma do campo, na ativa plantação de bondade e esperança, fortaleza e consolo. Ao pé de cada enfermo, roga a bênção do Pai em favor dos que choram, sem que se lembre de qualquer petição de socorro a si mesmo. Implora, em tom veemente, o retorno de Lázaro ao conforto da Terra sem suplicar a Deus que o liberte da morte. Exora para Pedro, o amigo invigilante, resguardo à tentação que viria prová-lo, entregando-se, após, à sanha de carrascos insanos. No jardim solitário ora em silê...

De passagem

Irmão, Enquanto gemes, Cresce a erva para curar-te as dores, E enquanto dormes A pedra te sustenta a habitação. Enquanto te desfazes em revolta, O verme permanece trabalhando, Submisso ao Senhor, No preparo do chão para que a vida não cesse. Enquanto te confias Aos impropérios da queixa, Dispõe-se a gota d’água A socorrer-te a sede. Enquanto te enveredas No labirinto imenso Da palavra insincera ou do tempo perdido, O minúsculo grão Desenvolve-se, humilde, Para atender-te a fome e ajudar-te o celeiro. Ao redor de teus passos. Tudo clama – “que fazes?” Entretanto, Guardas ouvidos surdos E as tuas mão inertes Rogam, em vão, o amparo Que deviam por si mesmas, Enriquecendo o bem para a luz imortal. Abre o teu coração À glória da verdade e à fonte do amor Que dimanam sem termo Do Coração da Vida, Para que o Sol Divino Encontre no teu peito O instrumento ideal de manifestação, Porque a bênção do corpo É qual a flor da erva, Hoje brilhando ao céu, amanhã, semimorta… E o Pai Justo e Bondoso Que...

Piedade em casa

Não aguardes as ocorrências da dor para desabotoares a flor da piedade no coração. Sê afável com os teus, sê gentil em casa, sê generoso onde estiveres. No lar, encontrarás múltiplas ocasiões, cada dia, para o cultivo da celeste virtude. Tolera, com calma silenciosa, a cólera daqueles que vivem sob o teto que te agasalha. Não pronuncies frases de acusação contra o parente que se ausentou por algumas horas. Não te irrites contra o irmão enganado pela vaidade ou pelo orgulho que se transviou nos vastos despenhadeiros da ilusão. Na tarefa de esposo, desculpa a fraqueza ou a exasperação da companheira, nos dias cinzentos da incompreensão; e, no ministério da esposa, aprende a perdoar as faltas do companheiro e a esquecê-las, a fim de que ele se fortaleça no crescimento do bem. Se és pai ou mãe, compadece-te de teus filhos, quando estejam dominados pela indisciplina ou pela cegueira; e, se és filho ou filha, ajuda aos pais, quando sofram nos excessos de rigorismo ou na intemperança mental. ...

Na Senda

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Enquanto o discípulo apenas se enlevava na meditação, acerca do Mestre, tudo se lhe afigurava harmonia... Cada ensinamento era para ele uma nascente de luz, rasgando horizontes novos. E, por isso, a vida nunca lhe pareceu tão suave e risonha. Ébrio de júbilo dividia-se entre o firmamento povoado de estrelas e a Terra de flores, a repetir: - Que não farei por ti, Senhor? Muitas luas decorreram, assinalando a passagem do tempo, quando o Mestre deliberou chamá-lo à sua presença augusta. Escutando a divina voz, o aprendiz pôs-se em marcha, transbordante de contentamento. Que não faria para testemunhar amor e gratidão? Em plena estrada, contudo, arrefeceu-se-lhe o ânimo: é que lhe era enorme o dispêndio de energia, ressumando-lhe o suor em grossas bagas. Erguia-se a poeira, fustigando-lhe o rosto. De espaço a espaço, desabava um temporal, dardejando-lhe em torno raios deslumbrantes e aterradores; e então a lama se enovelara e esparzia em todas as direções. Quando a sede o escal...