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Confessar o Cristo

Desde a ascensão de Constantino ao poderio romano, milhões de criaturas hão confessado Jesus com os lábios. Pregaram as Boas Novas da Salvação e arrojaram a Humanidade em vagas de sangue e morte. Dominaram púlpitos brilhantes e estenderam aflição e discórdia. Senhorearam a governança política e semearam penúria e destruição. Escreveram livros primorosos e estabeleceram nas almas o império da crueldade e da sombra. Teceram poemas de esperança e inflamaram fogueiras de intolerância e fanatismo. Exaltaram a Luz Divina e alimentaram as trevas da ignorância. Discursaram, enaltecendo o amor e plantaram espinheiros de guerra e ódio. Misturaram o mel da palavra com o veneno da negação e criaram apenas calamidade e sofrimento, flagelações e ruínas… É que não basta confessar o Senhor com o verbo fascinante e seguro, mantendo o coração longe d’Ele. Não valem simples afirmações preciosas que a ventania renovadora do tempo extingue, implacável… Confessar o Cristo é cristianizar nossa vida e viver-l...

Teu privilégio

Nos momentos difíceis, – naturais no caminho de todos –, não desperdices o tesouro das horas com desesperação e abatimento. Recorda o privilégio que recebeste da vida, – o privilégio de ajudar. É possível que nuvens de desenganos te hajam caído na estrada por aguaceiro de fel; isso, porém, não te impede levar algum consolo aos que vegetam em catres de sofrimento e que não tiveram no curso de muitos anos nem mesmo o mais leve sopro de qualquer esperança. Falas de empeços domésticos que te barram a caminhada para a meta de determinados desejos; nada, todavia, te impossibilita a condução de apoio, ainda que mínimo, àqueles companheiros outros que suspiram por liberdade, nos impedimentos das prisões e dos hospitais. Referes-te à preocupações que te esbraseiam o cérebro para responder com eficiência aos desafios do mundo; desfrutas, entretanto, a bênção de poder amparar as criaturas irmãs que perderam, temporariamente, o equilíbrio mental, segregadas nos manicômios. Reporta-te a desastres a...

Prece do Natal

Senhor Jesus!… Recordando-te a vinda, quando te exaltaste na manjedoura por luz nas travas, vimos pedir-te a bênção. Releva-nos se muitos de nós trazemos saudade e cansaço, assombro e aflição, quando nos envolver em torrentes de alegria. Sabes, Senhor, que temos escalado culminâncias… Possuímos cultura e riqueza, tesouros e palácios, máquinas que estudam as constelações e engenhos que voam no Espaço! Falamos de ti – de ti que volveste dos continentes celestes, em socorro dos que choram na poeira do mundo, no tope dos altos edifícios em que amontoamos reconforto, sem coragem de estender os braços aos companheiros que recolhias no chão… Destacamos a excelência de teus ensinos, agarrados ao supérfluo, esquecidos de que não guardaste uma pedra em que repousar a cabeça; e, ainda agora, quando te comemoramos o natalício, louvamos-te o nome, em torno da mesa farta, trancando inconscientemente as portas do coração aos que se arrastam na rua! Nunca tivemos, como agora, tanta abastança e tanta p...

Livro Espírita e Vida

O pão elimina a fome. O livro espírita suprime a penúria moral. O traje compõe o exterior. O livro espírita harmoniza o íntimo. O teto abriga da intempérie. O livro espírita resguarda a criatura contra os perigos da obsessão. O remédio exclui a enfermidade. O livro espírita reanima o doente. A cirurgia reajusta os tecidos celulares. O livro espírita reequilibra os processos da consciência. A devoção prepara e consola. O livro espírita reconforta e explica. A arte distrai e enternece. O livro espírita purifica a emoção e impele ao raciocínio. A conversação amiga e edificante exige ambiente e ocasião para socorrer os necessitados da alma. O livro espírita faz isso em qualquer lugar e em qualquer tempo. A força corrige. O livro espírita renova. O alfabeto instrui. O livro espírita ilumina o pensamento. Certamente é dever nosso criar e desenvolver todos os recursos humanos que nos sustentem, e dignifiquem a vida na Terra de hoje; todavia, quanto nos seja possível, auxiliemos a manutenção e...

Algemas

Indiscutivelmente, em todas as paisagens da Terra, observamos fardos e prisões que atormentam a vida… Algemas de ódio, cristalizando as trevas em torno das almas… Algemas de egoísmo, enregelando corações… Algemas de vingança, estabelecendo perturbações e discórdia… Algemas do azedume, provocando amargura e enfermidade… Algemas da ignorância, gerando chagas de penúria… Na vida social, permanece a criatura encadeada a deveres que lhe martirizam a existência, tanto quanto no lar, antigos companheiros que ontem se acumpliciavam na crueldade, hoje se prendem uns aos outros em tremendos conflitos expiatórios… Cada espírito renasce no berço com as algemas que forjou para si mesmo no passado próximo ou remoto, a fim de realizar a caminhada regeneradora através de lutas e problemas edificantes até o túmulo, para que o túmulo seja preciosa emancipação. Recorda o Cristo, o grande libertador, e apresenta-lhe, cada dia, com o suor do próprio trabalho, os grilhões que porventura te releguem à inibiç...

Provação e fé

Os momentos das grandes provações são igualmente os instantes mais significativos da fé. Terás talvez alcançado o apogeu de semelhantes tribulações. Encontrastes esse topo do sofrimento na enfermidade que provavelmente se demora contigo, flagelando-te a vida orgânica. Criaturas queridas se desvincularam de ti, violentamente, arrojando-te à inquietação e ao desânimo. Sofreste a perda de entes amados nas brumas da morte e trazes o coração encharcado de lágrimas. Golpearam-te os interesses e despojaram-te dos recursos indispensáveis à própria manutenção, compelindo-te a vaguear em tristeza e penúria. Empenhaste as melhores forças na causa do bem de todos e situaram-te num cipoal de incompreensões e desafetos gratuitos que te prendem à dor. É possível hajas atingido esses dias de conflitos e aflições, tumultuando-te o ser. Mágoas novas somadas a desgostos antigos te atormentam o campo íntimo. Seja qual seja a espécie de provação que te visita, não te rebeles, nem desanimes. Não te deixes m...

Bombeiros de Deus

Achávamo-nos em Pedro Leopoldo, no Centro Espírita Luiz Gonzaga, aguardando a reunião pública de estudos da nossa consoladora Doutrina. Falávamos de paz, da necessidade da paz no atual momento em nossos caminhos na Terra. Considerávamos a vigilância que nos cabe observar nas atitudes e ocorrências do dia-a-dia. Convidados aos trabalhos, O Evangelho Segundo o Espiritismo nos deu a exame o item 9 do seu capítulo IX, intitulado “A Cólera”, e vários confrades fizeram valiosas apreciações do conjunto. Ao término da reunião, foi Emmanuel o mensageiro desta página psicografada. Francisco Cândido Xavier - Chico Xavier Temos diversas formas de auxiliar: Suprimir a penúria; Estender a beneficência; Criar a generosidade; Consolar o sofrimento. Existe, porém, uma delas ao alcance de todos e que pode ser largamente exercida em qualquer lugar: o donativo da calma nos momentos atribulados da vida. Recorda os bens espirituais que consegues distribuir e não marginalizes semelhante recurso. ...