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Escolha

Chamados e escolhidos não constituem expressões que se ajustam unicamente ao quadro das revelações vertidas do Céu para a Terra. Observemo-las no campo da experiência comum, de vez que toda criatura é escolhida para expressar os elementos chamados por ela mesma a substancializar o centro da própria vida. Quem coleciona as labaredas da tentação é escolhido para inflamar o incêndio da angústia. Quem busca os espinhos da estrada é escolhido para guardar o espinheiro no coração. Quem anota desapontamentos e amarguras é escolhido para capitanear o desânimo. Quem se esforça por estudar e aprender, é escolhido para guardar o conhecimento superior e transmiti-lo aos semelhantes. Quem se esmera no cumprimento das próprias obrigações, é escolhido para representar a força do progresso. Quem busca estender as flores da bondade é escolhido para colher os frutos da simpatia. Serve à fraternidade e refletir-lhe-ás a glória imperecível. Exalta a fé pura e converter-te-ás em base de confiança. Teus mai...

Irmão

Irmão é todo aquele que perdoa Setenta vezes sete a dor da ofensa, Para quem não há mal que o bem não vença, Pelas mãos da humildade atenta e boa. É aquele que de espinhos se coroa Por servir com Jesus sem recompensa, Que tormentos e lágrimas condensa, Por ajudar quem fere e amaldiçoa. Irmão é todo aquele que semeia Consolação e paz na estrada alheia, Espalhando a bondade que ilumina; É aquele que na vida transitória Procura, sem descanso, a excelsa glória Da eterna luz na Redenção Divina. Espírito João de Deus, do livro Correio Fraterno, psicografado por Chico Xavier.

Doce nome

Não obstante a defecção de Caim e o abandono de José, filho de Jacob, o nome de irmão é talvez um dos títulos mais doces que existem no mundo. O verdadeiro amor fraternal não pede compensações, não experimenta ciúme, não é exclusivista. Reclama somente a felicidade do objeto amado, com a qual se contenta. Jesus chamava irmãos a todos os seguidores de seu ideal divino e seus legítimos continuadores viviam em comunidade fraternal. Os cristãos martirizados nos circos penetravam na arena abraçados e felizes. Damas do patriciado davam as mãos a escravas misérrimas, unidas para o sacrifício. Não se conheciam antes. As filhas dos romanos aristocráticos haviam nascido no berço da dominação, enquanto as servas dos nobres haviam chegado ao mundo à sombra do cativeiro. Enfrentavam, porém, as feras sacrílegas, de mãos entrelaçadas, porque o Evangelho do Reino Celeste lhes revelara o doce mistério da sublime fraternidade. Eram irmãs, diante do Eterno: era tudo o que podiam saber no supremo holocaus...