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Construção do amor

Amigo Leitor, Pergunta-se-nos como se constrói o amor, qual se deseja; uma integração das criaturas com outras criaturas, de modo a que se amem desde as nascentes do afeto até o oceano da sublimação, no qual se ajustam umas às outras no Amor Infinito de Deus. Imaginemos o amor como sendo a construção de um palácio, construído necessariamente por variadas peças. Semelhantes peças seriam nomeados por diversas designações, como sendo: Animalidade. Brutalidade. Egoísmo. Ciúmes. Tirania. Possessão. Poligamia. Desgaste. União. Desunião. Família. Esperança. Desgostos. Rixas. Alegrias. Tristezas. Lealdade. Infidelidade. Conciliações. Reconciliações. Simpatias. Antipatias. Solidão. Felicidade. Crueldade. Desventuras. Ansiedades. Trabalho. Cuidados. Entendimento. Incompreensão. Abandono. Proteção. Harmonia. Desajustes. Confiança. Tolerância. Perdão. Renúncia. Sublimação. São esses alguns dos elementos indispensáveis à aquisição das experiências que são selecionadas pelo próprio espírito, através...

Calúnia

Na noite de 8 de março de 1956, tivemos nossa atenção voltada para o triste relato do Espírito A. Ferreira que, ocupando os recursos psicofônicos do médium, nos ofertou significativa lição com respeito à calúnia, conforme as suas experiências. De todas as potências do corpo humano, a língua será talvez aquela que mais nos reclama a vigilância. Por ela, começa a glória da cultura nos cinco continentes, mas, através dela, igualmente principiam todas as guerras que atormentam o mundo. Por ela, irradia-se o mel de nossa ternura, mas também, através dela, derrama-nos o fel da cólera. Muitas vezes é fonte que refresca e muitas outras é fogo que consome. Em muitas ocasiões, é ferramenta que educa e, em muitas circunstâncias, é lâmina portadora da destruição ou da morte. Sou uma das vítimas da língua, não conforme acontece na existência humana, em que os caluniados caem na Terra para se erguerem no Céu, em sublime triunfo, mas, segundo os padrões da vida real, em que os caluniadores que triunf...

Guerra viva

Em verdade, a civilização do Ocidente já conseguiu abolir, no campo de seus hábitos mais arraigados, a praga social do duelo, através da qual homens válidos se atiravam inutilmente à morte… Espadas e armas de fogo de velhos salões aristocráticos jazem relegadas ao abandono e ao silêncio dos museus, mas o homem que rixava com o próximo, no pretérito distante, buscando pretextos para aniquilar-lhe a vida, prossegue alimentando em si mesmo a cultura de projeteis mentais, vivos e mortíferos, com que interfere no programa santificante do Cristo, perturbando o caminho dos semelhantes ou exterminando a si mesmo. Não mais a contenda ostensiva na praça pública, mas a desarmonia destruidora no coração. Cada inteligência é um fulcro da vida, arrojando, de si mesma, forças intangíveis que geram todos os processos de assimilação e desassimilação, em nossa estrada comum. E em todos os setores, vemos o companheiro terrestre despendendo energias que lhe guerreiam a própria existência e lhe consomem a ...

Confessar o Cristo

Desde a ascensão de Constantino ao poderio romano, milhões de criaturas hão confessado Jesus com os lábios. Pregaram as Boas Novas da Salvação e arrojaram a Humanidade em vagas de sangue e morte. Dominaram púlpitos brilhantes e estenderam aflição e discórdia. Senhorearam a governança política e semearam penúria e destruição. Escreveram livros primorosos e estabeleceram nas almas o império da crueldade e da sombra. Teceram poemas de esperança e inflamaram fogueiras de intolerância e fanatismo. Exaltaram a Luz Divina e alimentaram as trevas da ignorância. Discursaram, enaltecendo o amor e plantaram espinheiros de guerra e ódio. Misturaram o mel da palavra com o veneno da negação e criaram apenas calamidade e sofrimento, flagelações e ruínas… É que não basta confessar o Senhor com o verbo fascinante e seguro, mantendo o coração longe d’Ele. Não valem simples afirmações preciosas que a ventania renovadora do tempo extingue, implacável… Confessar o Cristo é cristianizar nossa vida e viver-l...

Notas de saúde

Menosprezo de alguém? Trabalhe e esqueça. Perseguição e discórdia? Trabalhe e pacifique. Inveja e ódio? Trabalhe e ame sempre. Ofensas no lar? Trabalhe e abençoe. Desilusões à frente? Trabalhe e renove-se. Censura e crítica? Trabalhe e agradeça. Intriga e maledicência? Trabalhe e silencie. Golpes e prejuízos? Trabalhe e siga adiante. Crueldade e traição? Trabalhe e desculpe. Em todas as dificuldades, Trabalhe, ore e perdoe. Reconheçamos, porém, que, em qualquer processo de sustentação da saúde, o primeiro passo será sempre “trabalhar”. Espírito André Luiz, do livro Busca e Acharás, psicografado por Chico Xavier.

Rogativa de Natal

Senhor Jesus! Quando chegaste à Terra, através dos panos da manjedoura, aguardava-te a Escritura como sendo a luz para os que jazem assentados nas trevas!… E, em verdade, Senhor, as sombras dominavam o mundo inteiro… Sombras no trabalho, em forma de escravidão… Sombras na justiça, em forma de crueldade… Sombras no templo, em forma de fanatismo… Sombras na governança, em forma de tirania… Sombras na mente do povo, em forma de ignorância e de miséria… Pouco a pouco, no entanto, ao clarão de tua infinita bondade, quebraram-se as algemas da escravidão, transformou-se a crueldade em apreciáveis direitos humanos, transmudou-se o fanatismo em fé raciocinada, converteu-se a tirania em administração e, gradualmente, a ignorância e a miséria vão recebendo o socorro da escola e da solidariedade. Entretanto, Senhor, ainda sobram trevas no amor, em forma de egoísmo! Egoísmo no lar… Egoísmo no afeto… Egoísmo na caridade… Egoísmo na prestação de serviço… Egoísmo na devoção… Mestre, dissipa o nevoeiro...

Motivos para socorro aos maus

… e orai pelos que vos perseguem. – Jesus. Mateus. 5:44. Todos aqueles espíritos interpretados como maus são irmãos nossos – criaturas do Criador, quanto nós mesmos – credores de auxílio e consideração. A maldade, em muitos, provém da ignorância que compele o ser a comportamento infeliz, reclamando assistência educativa. Às vezes a crueldade não é senão doença catalogável na patologia da mente, agravada, em muitas ocasiões, por influência obsessiva solicitando ajuda curativa em vez de punição. Muitos criminosos são companheiros que não resistiram às tentações trazidas de existências passadas, incursos em faltas das quais somos passíveis em nossa atual posição de consciências endividadas perante a Lei. O malfeitor no cárcere ou em cumprimento da pena que lhe foi cominada é semelhante ao enfermo no hospital ou em tratamento adequado, requerendo compreensão e apoio fraterno. Ninguém experimenta alegria ante as vítimas do mal, como ninguém sente prazer diante do vizinho que a moléstia pert...

Na intimidade do Mestre

…  E porque o aprendiz perguntasse ao Mestre o motivo pelo qual fora chamado ao seu campo de ação, respondeu o Senhor, compassivamente:  —“Decerto, não foste convidado a criticar, porque, para isso, a Terra dispõe daqueles que transitam entre a malícia e o azedume…   Com certeza não foste trazido à Revelação para apedrejar o próximo infeliz, porquanto, para esse fim, a crueldade ainda campeia no mundo, usando corações cristalizados na indiferença…   Indiscutivelmente, não foste citado para fortalecer a ingratidão e a calúnia, de vez que para estendê-las a Humanidade ainda conta com milhares de criaturas entregues à leviandade e à maledicência…   Sem dúvida, não foste convocado para descobrir as cicatrizes e as chagas de nossos irmãos, porque, para esse mister, possuímos a legião daqueles que se imobilizam na procura do mal…   Chamei-te para abençoar onde outros amaldiçoam, para justificar onde muitos reprovam e condenam…   Busq...

Recomendações iniciais do Messias

De conformidade com a narrativa de Mateus, as recomendações iniciais do Messias aclaravam as normas de ação que os discípulos deviam seguir para as realizações que lhes competiam concretizar. Amados, entrou Jesus a dizer-lhes, com mansidão extrema, não tomareis o caminho largo por onde anda toda gente, levada pelos interesses fáceis e inferiores; buscareis a estrada escabrosa e estreita dos sacrifícios pelo bem de todos. Também não penetrareis nos centros de discussões estéreis, à moda dos samaritanos, nos das contendas que nada aproveitam às edificações do verdadeiro reino nos corações com sincero esforço. Ide antes em busca das ovelhas perdidas da casa de nosso Pai que se encontram em aflição e voluntariamente desterradas de seu divino amor. Reuni convosco todos os que se encontram de coração angustiado e dizei-lhes, de minha parte, que é chegado o reino de Deus. Trabalhai em curar os enfermos, limpar os leprosos, ressuscitar os que estão mortos nas sombras do crime ou das desilu...