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Perdoarás

Perdoarás, mas perdoarás compreendendo que o perdão não te coloca na galeria de virtudes especiais, diante daquele a quem hajas brindado com a tua benevolência. Perdoarás, reconhecendo que poderias estar no lugar dele. Examinarás todo o acervo de sentimentos e pensamentos, impulsos e ações que te definem a personalidade e perguntarás a ti mesmo, sem qualquer subterfúgio, como agirias na posição do ofensor, no momento psicológico em que ele caiu. Ouvirás a consciência sem fugir-lhe às anotações e perceberás, para logo, que é forçoso sanar o erro, entretanto, observarás claramente, que ninguém suprime um erro em definitivo sem o clima da compaixão, e ninguém encontra o clima da compaixão sem a luz do entendimento. A face disso, quando alguém te apedreje, detém-te por alguns instantes, a fim de enxergar o ocorrido. Alguém já disse que de dez partes do ato de ver nove delas se processam fora dos olhos físicos, nas profundezas da mente. Através da meditação, ser-te-á possível verificar o ag...

Vontade

Comparemos a mente humana — espelho vivo da consciência lúcida — a um grande escritório, subdividido em diversas seções de serviço. Aí possuímos o Departamento do Desejo, em que operam os propósitos e as aspirações, acalentando o estímulo ao trabalho; O Departamento da Inteligência, dilatando os patrimônios da evolução e da cultura; O Departamento da Imaginação, amealhando as riquezas do ideal e da sensibilidade; O Departamento da Memória, arquivando as súmulas da experiência, e outros, ainda, que definem os investimentos da alma. Acima de todos eles, porém, surge o Gabinete da Vontade. A Vontade é a gerência esclarecida e vigilante, governando todos os setores da ação mental. A Divina Providência concedeu-a por auréola luminosa à razão, depois da laboriosa e multimilenária viagem do ser pelas províncias obscuras do instinto. Para considerar-lhe a importância, basta lembrar que ela é o leme de todos os tipos de força incorporados ao nosso conhecimento. A eletricidade é energia dinâmica...

Perigo

Cada vez que a irritação te assoma aos escaninhos da mente, segues renteando sinal de perigo. Mesmo que tudo pareça conspirar em teu prejuízo, não convertas a emoção em bomba de cólera a explodir-te na boca. Desequilíbrio que anotes é apelo da vida a que lhe prestes cooperação. Quando as águas, em monte, investem furiosas sobre a faixa de solo que te serve de habitação, levantas o dique, capaz de governar-lhe os impulsos. Diante do fogo que te ameaça, recorres, de pronto, aos extintores de incêndio. Toda vez que o curto-circuito reponta na rede elétrica, desligas a tomada de força para que a energia descontrolada não opere a destruição. Assim também, quando a prova te visite, não transfigures a língua em chicote dos semelhantes. Se agressões verbais te espancam os ouvidos, ergue a muralha do dever fielmente executado, em que te defendas contra o assalto da injúria. Se a calúnia te alanceia, guarda-te em paz, no refúgio de prece. Se a dignidade ofendida, dentro de ti, surge transformada...

Ilusão

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Abandonai a ilusão, antes que a ilusão vos abandone. Livro No Mundo Maior As ilusões da vida comum são demasiado espessas para que o raio da verdade consiga varar, de pronto, a grossa camada de véus que envolvem a mente humana.  Inácio Bittencourt - Livro Falando à Terra