Ama e espera
Emudece o teu pranto. Cala o grito
De revolta na dor que te encarcera…
Por mais negra, mais rude, mais sincera,
A mágoa estranha de teu peito aflito.
Em toda a Terra há lágrimas e conflito,
Ruínas do mundo que se desespera…
Ama e sofre, trabalha e persevera
Na esperança de paz e de infinito.
Peregrino do campo atormentado,
Rompe os elos e as trevas do passado,
Fita a luz do porvir resplandecente.
Muito além do terrível sorvedouro,
Nas estradas liriais de acanto e louro,
O sol do amor refulge eternamente.
Espírito Cruz e Souza, do livro Através do Tempo.Psicografia de Chico Xavier, em Reunião Pública de 4/09/1946, no Centro Espírita de Lavras, Minas Gerais.
João da Cruz e Sousa, Nasceu em 24 de novembro de 1861 e faleceu em 19 de março de 1898. Foi um poeta brasileiro, reconhecido como o primeiro e o principal expoente do simbolismo no Brasil. Filho de escravos alforriados, teve a vida marcada pela negritude e pela causa abolicionista, pelo que recebeu as alcunhas de Dante Negro, Cisne Negro e Poeta Negro.