A Carne e o Homem
Clamou a Carne ao Homem: – Foge à lida!
Embriaga-te e sonha! Tudo é nada…
A Terra é a nossa vinha iluminada
E eu sou a tua noiva apetecida…
E o pobre cavaleiro, em desabrida,
Sobre o corcel da mente incontentada,
Gozou, riu-se e fugiu à luz da estrada,
Procurando o prazer, de alma insofrida.
Mas veio um dia o Tempo e disse: – Para!
E alterando-lhe a face nobre e rara,
Deu-lhe a velhice, amargurosa e dura.
E, ofegando na Carne, quase morta,
O Homem triste caiu vencido, à porta
Do jazigo abismal da sepultura.
Espírito Anthero de Quental, em Nosso Livro, psicografado por Chico Xavier.
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