23 abril 2022

Vi-Te, Senhor / I saw you, Lord


Eu não pude ver-Te, meu Senhor,
Nos bem-aventurados do mundo,
Como aquele homem humilde e crente do conto de Tolstoi.

Nunca pude enxergar,
As Tuas mãos suaves e misericordiosas,
Onde gemiam as dores e as misérias da Terra!
E a verdade, Senhor,
É que Te achavas, como ainda Te encontras,
Nos caminhos mais rudes e espinhosos,
Consolando os aflitos e os desesperados…
Estás no templo de todas as religiões,
Onde busquem Teus carinhos,
As almas sofredoras,
Confundindo os que lançam o veneno do ódio em Teu nome,
Trazendo a visão doce do Céu,
Para o olhar angustioso de todas as esperanças…
Estás na direção dos homens,
Em todos os caminhos de suas atividades terrestres,
Sem que eles se apercebam,
De Tua palavra silenciosa e renovadora,
De Tua assistência invisível e poderosa,
Cheia de piedade para com as suas fraquezas.

Entretanto,
Eu era também cego no meio dos vermes vibráteis que são os homens,
E não Te encontrava pelos caminhos ásperos…

Mocidade, alegria, sonho e amor,
Inquietação ambiciosa de vencer,
E minha vida rolava no declive de todas as ânsias…

Chamaste-me, porém,
Com a mansidão de Tua misericórdia infinita.
Não disseste o meu nome para não me ofender;
Chamaste-me sem exclamações lamentosas,
Com o verbo silencioso do Teu amor,
E antes que a morte coroasse a Tua magnanimidade para comigo,
Vi que chegavas devagarzinho,
Iluminando o santuário do meu pensamento,
Com a Tua luz de todos os séculos!

Falaste-me com a Tua linguagem do Sermão da Montanha,
Multiplicaste o pão das minhas alegrias,
E abriste-me o Céu, que a Terra fechara dentro de minha alma…

E entendi-Te, Senhor,
Nas Tuas maravilhas de beleza,
Quando Te vi na paz da Natureza,
Curando-me com a Dor. 

Espírito Rodrigues de Abreu, do livro À Luz da Oração, psicografado por Chico Xavier.

Poeta nascido na cidade de Capivari, São Paulo, a 17 de Setembro de 1899, e desencarnado, tuberculoso, em Campos do Jordão, aos 24 de Novembro de 1927. Publicou Casa Destelhada, Noturnos e Sala dos Passos Perdidos, além de inúmeros trabalhos esparsos na imprensa do seu Estado. Foi cognominado — “o poeta triste das rimas róseas.”


I saw you, Lord

I could not see You, my Lord,
In the blessed of the world,
Like that humble, believing man in Tolstoy's tale.

I could never see
Your gentle and merciful hands,
Where the pains and miseries of the Earth groan!
And the truth, Lord,
It is that you thought yourself, as you still find yourself,
In the roughest and thorniest ways,
Consoling the afflicted and the desperate…
You are in the temple of all religions,
Where they seek Your affections,
The suffering souls,
Confounding those who spew the poison of hatred in Your name,
Bringing Heaven's sweet vision,
To the anguished gaze of all hopes...
You are in the direction of men,
In all the ways of your earthly activities,
Without them noticing,
Of Your silent and renewing word,
From Thy invisible and mighty assistance,
Full of pity for your weaknesses.

Nonetheless,
I was also blind in the midst of the vibrating worms that are men,
And I couldn't find you on the rough paths...

Youth, joy, dream and love,
Ambitious restlessness to win,
And my life rolled along the slope of all cravings…

But you called me
With the meekness of Your infinite mercy.
You didn't say my name so as not to offend me;
You called me without lamenting exclamations,
With the silent word of Your love,
And before death crowned Thy magnanimity toward me,
I saw that you arrived slowly,
Illuminating the sanctuary of my thought,
With Your light of all centuries!

You spoke to me in Your Sermon on the Mount language,
You multiplied the bread of my joys,
And you opened Heaven for me, which the Earth had closed within my soul...

And I understood You, Lord,
In Your wonders of beauty,
When I saw You in the peace of Nature,
Healing me with Pain.

Spirit Rodrigues de Abreu, from the book À Luz da Oração, psychographed by Chico Xavier.

Poet born in the city of Capivari, São Paulo, on September 17, 1899, and disincarnated, with tuberculosis, in Campos do Jordão, on November 24, 1927. He published Casa Destelhada, Noturnos and Sala dos Passos Perdidos, in addition to numerous scattered works. in your state press. He was nicknamed — “the sad poet of rosy rhymes.”

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