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Hoje ainda / Today still

Não esperarás pela fortuna, a fim de servir à beneficência. Muitas vezes, na pesquisa laboriosa do ouro, gastarás o próprio corpo em cansaço infrutífero. Cede, hoje ainda, a pequena moeda de que dispões em favor dos necessitados. O vintém que se transforma no pão do faminto vale mais que o milhão indefinidamente sepultado no cofre. Não requestarás a glória acadêmica para colaborar na instrução. Muitas vezes, na porfia da conquista de lauréis para a inteligência, desajustarás, debalde, a própria cabeça. Ampara, hoje ainda, o irmão que anseia pelo alfabeto. Leve explicação que induza alguém a se libertar da ignorância vale mais que o diploma nobre, guardado inútil. Não exigirás ascensão ao poder humano a fim de proteger as vidas alheias. Muitas vezes, na longa procura de autoridade, consumirás, em vão, o ensejo de auxiliar. Acende, hoje ainda, para essa ou aquela criança extraviada, a luz do caminho certo. Pequeno gesto edificante, que incentiva um menino a buscar o melhor, vale mais que...

A caridade desconhecida / The unknown charity

A conversação em casa de Pedro versava, nessa noite, sobre a prática do bem, com a viva colaboração verbal de todos. Como expressar a compaixão, sem dinheiro? Por que meios incentivar a beneficência, sem recursos monetários? Com essas interrogativas, grandes nomes da fortuna material eram invocados e a maioria inclinava-se a admitir que somente os poderosos da Terra se encontravam à altura de estimular a piedade ativa, quando o Mestre interferiu, opinando, bondoso: —Um sincero devoto da Lei foi exortado por determinações do Céu ao exercício da beneficência; entretanto, vivia em pobreza extrema e não podia, de modo algum, retirar a mínima parcela de seu salário para o socorro aos semelhantes. Em verdade, dava de si mesmo, quanto possível, em boas palavras e gestos pessoais de conforto e estímulo a quantos se achavam em sofrimento e dificuldade; porém, magoava-lhe o coração a impossibilidade de distribuir agasalho e pão com os andrajosos e famintos à margem de sua estrada. Rodeado de fil...

Auxilia enquanto é hoje / Help while it is today

Recorda que, um dia, demandarás também o grande país da morte. Sentirás o frio do túmulo a envolver-te o raciocínio, até que a luz te bafeje o espírito renovado. Nem por isso, deixarás de ouvir as palavras que o verbo humano pronuncie em tua memória e, em plena transformação, receberás o impacto de todos os pensamentos formulados na Terra a teu respeito. Então suspirarás pela benevolência do próximo para que as tuas boas intenções sejam tomadas em conta no julgamento de teus dias. Sofrerás no coração a crítica e a malevolência, a mágoa e a acusação com que te envolvam o nome, tanto quanto regozijar-te-ás com as vibrações de carinho e com as preces de amor endereçadas ao teu Espírito. Reflete nessa lição do amanhã inevitável, fazendo-te, agora, mais humano e mais doce, em recordando os mortos que são mais vivos que tu mesmo, na imortalidade renascente. Ainda mesmo no comentário, em torno daqueles que se arrojaram às trevas, pensa nas boas obras que terão inutilmente desejado praticar du...

Pelas obras / By the works

“E que os tenhais em grande estima e amor por causa da sua obra.” – Paulo – 1ª Epístola aos Tessalonicenses, 5:13. Esta passagem de Paulo, na Primeira Epístola aos Tessalonicenses, é singularmente expressiva para a nossa luta cotidiana. Todos experimentamos a tendência de consagrar a maior estima apenas àqueles que leiam a vida pela cartilha dos nossos pontos de vista. Nosso devotamento é sempre caloroso para quantos nos esposem os modos de ver, os hábitos enraizados e os princípios sociais; todavia, nem sempre nossas interpretações são as melhores, nossos costumes os mais nobres e nossas diretrizes as mais elogiáveis. Daí procede o impositivo de desintegração da concha do nosso egoísmo para dedicarmos nossa amizade e respeito aos companheiros, não pela servidão afetiva com que se liguem ao nosso roteiro pessoal, mas pela fidelidade com que se norteiam em favor do bem comum. Se amamos alguém tão-só pela beleza física, é provável encontremos amanhã o objeto de nossa afeição a caminho do...

Ainda / Still

Dizes que chegaste a extremo cansaço… Sofres sob o peso de moléstia implacável… Choras a ausência de pessoas queridas… Ampliou-se-te a carga de obrigações… Lutaste por muito tempo, sem encontrar a realização de teus mais altos ideais… A incompreensão alheia te trouxe problemas difíceis de resolver… Companheiros debandaram… Prejuízos te marcam os dias… Provações chegaram de improviso… Afirmas que a solidão te acabrunha… Declaras que tudo perdeste… Entretanto, não te rendas ao desespero… Lembra-te: ainda tens Deus. Espírito Emmanuel, do livro Fé, psicografado por Chico Xavier. Still You say you've reached extreme tiredness... You suffer under the weight of relentless disease… Cry the absence of loved ones... Your burden of obligations has increased… You fought for a long time, without finding the fulfillment of your highest ideals... The misunderstanding of others brought you difficult problems to solve... Companions disbanded… Losses mark your days... Trials came unexpectedly... You...

Criação verbal / Verbal creation

Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não… – Jesus. Mateus, 5:37 Toda frase, no mundo da alma, é semelhante a engenho de projeção suscitando imagens na câmara oculta do pensamento. Temos, assim, frases e frases: duras como aço; violentas como fogo; suaves como brisa; reconfortantes como sol; mordentes quais lâminas; providenciais como bálsamos. A vista disso, todos nós carregamos, no estoque verbalístico, palavras e palavras: palavras – bênçãos; palavras – armadilhas; palavras – charcos; palavras – luzes; palavras – esperanças; palavras – alegrias; palavras – promessas; palavras – realizações; palavras – trevas; palavras – consolos; palavras – aflições; palavras – problemas. Sabendo nós que o Criador, ao criar a criatura, criou nessa mesma criatura o poder de criar, é forçoso reconhecer que toda frase cria imagens e toda imagem pode criar alguma coisa. Saibamos, assim, compor as nossas frases com as nossas melhores palavras, nascidas e nossos melhores sentimentos, porque toda peça...

Estudo na parábola

Comentávamos a necessidade da divulgação da Doutrina Espírita, quando o rabi Zoar bem Ozias, distinto orientador israelita, hoje consagrado às verdades do Evangelho no Mundo Espiritual, pediu licença a fim de parafrasear a parábola dos talentos, contada por Jesus, e falou, simples: —Meus amigos, o Senhor da Terra, partindo, em caráter temporário, para fora do mundo, chamou três dos seus servos e, considerando a capacidade de cada um, confiou-lhes alguns dos seus próprios bens, a título de empréstimo, participando-lhes que os reencontraria, mais tarde, na Vida Superior…   —Ao primeiro transmitiu o dinheiro, o Poder, o Conforto, a Habilidade e o Prestígio; ao segundo concedeu a Inteligência e a Autoridade e ao terceiro entregou o Conhecimento Espírita. Depois de longo tempo, os três servidores, assustados e vacilantes, compareceram diante do Senhor para as contas necessárias. O primeiro avançou e disse: —Senhor, cometi muitos disparates e não consegui realizar-te a vontade, que deter...