Hoje ainda / Today still
Não esperarás pela fortuna, a fim de servir à beneficência. Muitas vezes, na pesquisa laboriosa do ouro, gastarás o próprio corpo em cansaço infrutífero. Cede, hoje ainda, a pequena moeda de que dispões em favor dos necessitados. O vintém que se transforma no pão do faminto vale mais que o milhão indefinidamente sepultado no cofre. Não requestarás a glória acadêmica para colaborar na instrução. Muitas vezes, na porfia da conquista de lauréis para a inteligência, desajustarás, debalde, a própria cabeça. Ampara, hoje ainda, o irmão que anseia pelo alfabeto. Leve explicação que induza alguém a se libertar da ignorância vale mais que o diploma nobre, guardado inútil. Não exigirás ascensão ao poder humano a fim de proteger as vidas alheias. Muitas vezes, na longa procura de autoridade, consumirás, em vão, o ensejo de auxiliar. Acende, hoje ainda, para essa ou aquela criança extraviada, a luz do caminho certo. Pequeno gesto edificante, que incentiva um menino a buscar o melhor, vale mais que...