João de Deus
Quando o Sol da verdade acaricia
O coração dos crentes em Jesus,
Há sempre a luminosa eucaristia
Do pão da vida, transformado em luz.
Não existem mais lágrimas, nem cruz,
Nesse eterno banquete de alegrias,
Onde tudo é o amor que nos seduz
Em vibrações de paz e de harmonia.
Derramando-se as luzes da verdade,
No coração de toda a humanidade,
Virá o amor que salva e que conduz.
E é dando o nosso braço irmão e amigo
Que faremos da Terra o eterno abrigo
Da bondade infinita de Jesus.
Sobre o mundo de dor e de agonia,
Toda a ciência de paz, de amor e luz,
Somente encontrará a sabedoria,
No sublime Evangelho de Jesus!
A existência terrestre é como a cruz
Que a alma leva na estrada erma e sombria,
Estrada dolorosa que a conduz
Ao reino da verdade e da harmonia.
Sem o labor divino do Evangelho
Toda a ciência do mundo é a do homem velho
Preso aos grilhões das sombras do mal;
Somente com Jesus, com o Seu exemplo,
Pode-se edificar o eterno templo
Da infinita ciência universal.
Espírito João de Deus.
São Paulo, 29-3-1937. Ver nota em: 21. Metapsíquica.
O Espiritismo é a ilha da bonança,
No oceano de lágrimas e de dor,
Onde o homem cansado e sofredor
Encontra o porto amigo da esperança.
Porto claro e feliz, onde a alma alcança
Os tesouros de fé, crença e amor,
Sob as bênçãos divinas do Senhor,
E onde a vida decorre calma e mansa.
É na doutrina da fraternidade
Que o coração de toda a humanidade
Há de alcançar mais vida, paz e luz.
Somente o seu ensino verdadeiro
Pode reunir na Terra o mundo inteiro
No Evangelho sublime de Jesus.
Encerrando a semana metapsíquica no Teatro Municipal de São Paulo.
Ver nota em: 21. Metapsíquica.
Vós que guardais, dos mortos a lembrança,
Sois, também, nos espaços, recordados,
Nos eternos caminhos aureolados
Pelos clarões da bem-aventurança/
No país da verdade e da bonança
Nós ouvimos as súplicas e os brados
De pobres corações despedaçados,
No cadinho da mágoa ou da esperança;
Das vibrações ignotas das esferas,
Nós que fomos os homens de outras eras,
Queremos mitigar a vossa dor.
Sois os mortos nos círculos da vida,
Nos sepulcros de carne apodrecida,
Desejosos de paz, de luz, de amor.
Na dolorosa e escura travessia
Do encapelado mar da provação
Na mais amarga desesperação,
Debatem-se os escravos da agonia.
Nas correntes pesadas da aflição,
Na paisagem sem sol, erma e sombria,
Lá vai a humanidade na porfia
Da paz que é toda a luz do coração.
Saibam, porém, as pobres criaturas,
Atoladas no mar das desventuras,
Sem o rumo de Deus, vagando ao léu,
Que o Espiritismo é o porto da verdade,
Para onde navega a humanidade,
Buscando a estrada de ouro para o céu!…
Vós que buscais Jesus, sob a procela,
Toda feita de lágrimas e dores
Deveis ser os humildes seguidores;
Da Luz do Mundo, primorosa e bela.
Deveis ser a Renúncia que revela
O grande amor de todos os amores,
Que perdoa e redime os pecadores,
Na palavra mais terna e mais singela.
Guardai Jesus no mundo de aspereza,
Dentro da mesma luz e da grandeza
Que consola e que eleva o coração…
Sede o Bem, sede Amor e Tolerância,
Que a caridade é toda a substância
Da Lei que nos conduz à Perfeição.
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