De quem seria?

Afinal, meus irmãos, de quem seria o crime? 
Daquele, cujo braço impôs a morte 
Ao coração de alguém? 
Ou desse mesmo coração caído, 
Que inerte e mudo agora se mantém? 

A quem se atiraria a mancha em rosto? 
À vítima tombada? Ao verdugo suposto? 
Ou será que outro alguém 
É o verdadeiro autor dessa agonia alheia, 
Escondido na sombra, 
À feição de uma aranha em sua própria teia? 

Compreendido, porém, 
Que o crime sempre nasce 
De uma ideia feroz, 
Quem teria pensado nele antes? 
Os outros? Talvez nós? 

Que lhe teria dado a forma de começo 
Na roupagem de alguma frase louca? 
O inimigo, o vizinho, o companheiro 
Ou nós mesmos com a nossa própria boca? 

De permeio à incerteza e à insegurança, 
Sem que se saiba, ao certo, onde a culpa é nascida, 
Transformemos o amor numa fonte perene 
Que dissipe na Terra as angústias da vida. 

E se alguém surge em falta, 
Recordemos Jesus, onde a censura medra: 
— Aquele que estiver sem sombra de pecado, 
Lance a primeira pedra. 

Espírito Manoel Monteiro, do livro Correio Fraterno, psicografado por Chico Xavier. 

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