Mãe

Disse o Inferno à alma triste, em sombra densa,
Que no Além pervagava, em noite escura:
 — “Eu sou a grande e eterna desventura
Que recebes por dura recompensa.”

E disse a Dor: — “Em minha treva imensa,
Sorverás o teu cálix de amargura…
Sou chama imperecível de tortura
Que vergasta com fria indiferença!…”

Mas terna e doce voz clamou da Terra:
 — “Eu sou o Amor Divino que não erra
Vem a mim, alma pobre e desvalida!…”

E o Coração Materno, em riso e pranto,
Abriu-lhe o seio dadivoso e santo
E deu-lhe novamente a luz da vida.

Espírito de Anthero de Quental, do livro Encontros no Tempo, psicografado por Chico Xavier, 14 de maio de 1950

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