A mão de Chico Xavier

A reunião está prestes a começar.
As portas humildes da casa de oração há muito estão abertas, convidando à fé.
Lá fora, inúmeros veículos estacionados descansam das centenas de quilômetros vencidos...
A massa humana acotovela-se para participar do ágape divino.
São mães que estampam nas faces o arco-íris da esperança; jovens que começam a tatear em busca da solução dos enigmas que acabrunham as suas frontes juvenis; companheiros que esperam…
Em quase todos os semblantes percebe-se, sem dificuldade, a marca da dor.
Quase ao centro da sala de reuniões, que mais se assemelha a um oásis de luz, uma mesa de madeira, rodeada por algumas cadeiras, recepciona amigos ligados mais diretamente ao programa doutrinário da noite.
A expectativa é geral.
Muitos manuseiam livros como se estivessem saciando uma sede de muito tempo.
Outros oram, de espírito reverente e humilde ante a Divindade.
Um homem simples consulta, na cabeceira da mesa, dois livros encadernados, escolhendo, por certo, as lições consoladoras da noite.
Alguns lápis estão-lhe ao alcance das mãos.
A prece inicial é proferida como se uma sinfonia indescritível estivesse sendo executada pelas cordas vocais, regidas pelo coração.
A atmosfera espiritual reinante transporta-nos, por instantes, às margens do Tiberíades...
Estimada irmã toma a palavra e discorre com lucidez sobre o tema, como se o traduzisse em verbo de luz.
Uma mão decidida e ágil atrai, agora, todas as atenções.
É a mão de Chico Xavier!
O lápis parece saltar da mesa, qual se estranho ímã o arrastasse. 
Não sabemos dizer se, naquele momento, a mão pertence ao lápis ou se o lápis é parte da mão.
Numa celeridade espantosa, difícil até de acompanhar com os olhos, letras e palavras, frases e pensamentos materializam-se no papel.
Parece até que o grafite ganha inteligência!...
Aqui e ali, alguém enxuga uma lágrima que lhe sobe do peito aos olhos.
Todos os corações obedecem ao compasso dos movimentos da mão, que mais parece uma estrela, luzindo a pender do braço...
Os minutos avançam, mas a destra não se deixa vencer pelo cansaço; baila no palco do papel, tendo como parceiro o lápis, que não tropeça ou hesita um só instante.
Há mais de meio século que ela ampara milhares de corações pelo sofrimento!
Às vezes, parece-nos que o braço é erguido por invisíveis fios que o movimentam.
Parafraseando o filósofo, diríamos que “há mais verdades entre aquela mão e o lápis do que possamos conceber”
Cremos que entre aquela mão e o coração existe apenas uma diferença anatômica.
Quando pensamos que a Ciência, receosa embora, começa a sondar o invisível sobre as realidades do espírito, agradecemos ao Senhor da Vida por ter confiado tantos talentos a uma mão que os tem sabido multiplicar em louvor da imortalidade!...
Benditas sejas, mãos amigas, pelo aceno de conforto, pelo gesto de amor, pela mímica de esperança...
Deus te proteja dos cravos da ingratidão e das pedras da ignorância.
Obrigado por ter-nos arrebatado da mendicância espiritual e nos conduzido pelas veredas seguras do esclarecimento.
És um meteoro divino a riscar de luz, para sempre, o céu de nossas almas.
Estação terminal do invisível na Terra, viverás em cada página dos livros que a sabedoria infinita te permitiu conceber!

Carlos A. Baccelli, introdução do livro O Homem coração.

* Carlos A. Baccelli, autor desta introdução, é médium espírita com importantes trabalhos psicografados. Pesquisou, organizou e escreveu vários livros sobre a vida e a mensagem de Chico Xavier. Amigo pessoal e colaborador do grande médium, Carlos A. Baccelli vem prestando inestimável serviço à doutrina espírita no Brasil. 

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