Nossos mortos

Cinamomo em flor

Os que se vão nas mágoas e na poeira
Dos caminhos da morte soterrados,
Levam consigo a imagem derradeira,
A visão dos seus mortos bem-amados.

Mortos que ai ficaram na canseira,
Nos trabalhos do mundo acorrentados,
Padecentes de dor e de cegueira
Nos maiores tormentos flagelados…

Aqueles que amei nunca os esqueço,
É por eles que sofro e que padeço
Numa longa saudade intraduzida;

Eu os espero na luz da eternidade,
Mas, ó seres que eu amo, esta saudade
É o cinamomo em flor desta outra vida!…

Espírito Alphonsus de Guimarães, do livro Palavras do Infinito.
Soneto recebido por Chico Xavier, em Pedro Leopoldo.

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