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No templo da carne

O corpo físico é sempre o equipamento de ação que o espírito – romeiro do progresso – é capaz de receber com proveito, consoante as necessidades e méritos que lhe caracterizam a experiência.  Qual acontece, na esfera humana, em que se atribuirá a cada criatura o instrumento que possa manejar para o bem comum, cada espírito, em se materializando na Terra, usa o veículo carnal que lhe seja adequado à luta imprescindível.  Entre os homens não se confiará o leme da usina elétrica ao adolescente irresponsável, nem se colocará o explosivo, destinado a cinzelar as formas da natureza, nas mãos da criança, incapaz de apreender-lhe o perigo.  Ninguém se lembrará de entregar o tesouro da coletividade ao delinquente que a penitenciária recolhe, nem se dará o tribunal à cabeça do analfabeto.  Assim é que na reencarnação, cada alma detém os recursos que mereceu.  É por isso que, embora identificados na espécie, não existem dois corpos humanos perfeitamente iguais.  A jus...

Semeadura

Sua generosidade chamará a bondade alheia em seu socorro. Sua simplicidade solucionará problemas para muita gente. Sua complexidade provocará muita dissimulação no próximo. Sua indiferença fará manifesta frieza nos outros. Seu desejo sincero de paz garantirá tranquilidade no caminho. Seu propósito de guerrear dará frutos de inquietação. Sua franqueza contundente receberá frases rudes. Sua distinção edificará maneiras corretas naqueles que o seguem. Sua espiritualidade superior incentivará sublimes construções espirituais. Diariamente, semeamos e colhemos. A vida é também um solo que recebe e produz eternamente. André Luiz, do livro Agenda Cristã, psicografado por Chico Xavier

Despertamento

Busquemos, sim meus amigos, ouvir a palavra daqueles que nos antecederam na ascensão à Vida Superior, mas, antes disso, comuniquemo-nos com os “mortos da Terra”, adensando a assembleia de ouvintes, à frente da mensagem da vida imortal. Acordemos, com o nosso exemplo e com a nossa fé, os que adormeceram na jornada e guardam o coração rígido ou indiferente. Levantemos aqueles que transformaram a existência em cemitério de impossibilidade, ante o sofrimento do próximo; os que enregelaram os melhores sentimentos no egoísmo esterilizante; os que converteram os bens do mundo em adornos frios e inúteis; os que transformaram o jardim em que respiram num túmulo florido e os que fizeram da oportunidade de viver, auxiliando aos semelhantes, um cadafalso de ouro a que se acolhem, receando o alheio infortúnio, porque há mais morte no caminho humano que no próprio sepulcro, para onde dirigis, procurando a revelação da verdade. Estendamos braços vivos e corações ardentes aos nossos irmãos anestesiado...

Sempre adiante

“Porque de quem alguém é vencido, do tal faz-se também escravo”. II Pedro, 2:19. O espírito encarnado, a fim de alcançar os altos objetivos da vida, precisa reconhecer sua condição de aprendiz, extraindo o proveito de cada experiência, sem escravizar-se. O dinheiro ou a necessidade material, a doença e a saúde do corpo são condições educativas de imenso valor para os que saibam aproveitar o ensejo de elevação em sua essência legítima. Infelizmente, porém, de maneira geral, a criatura apenas reconhece semelhantes verdades quando se abeira da transformação pela morte do corpo terrestre. Raras pessoas transitam de uma situação para outra com a dignidade devida. Comumente, se um rico é transferido a lugar de escassez, dá-se a tão extremas lamentações que acaba vencido, como servo miserável da mendicância; se o pobre é conduzido a elevada posição financeira, não raro se transforma em ordenador insensato, escravizando-se à extravagância e à tirania. É imprescindível muito cuidado para que as...

Prece do entendimento

Agradeço as bênçãos que me deste, sem que eu soubesse compreendê-las.  Supliquei-te defesa e determinaste que forças contrárias ao meu reconforto me atingissem o espírito e o ambiente em que me encontro, obrigando-me a longo esforço para criar refugio e apoio para quantos me confiaste ao amor e, apenas depois de observá-los felizes, é que reconheci comigo a alegria de todos eles em forma de segurança.  Obrigado, Senhor, porque não me doaste aquilo de que eu precisava, segundo as minhas requisições e sim de acordo com as minhas necessidades.  E agradeço, ainda, porque me mostraste, sem palavras, a significação do ensino que transmitiste ao teu apóstolo da humildade:  —“É dando que se recebe”.  Meimei, do livro Deus Aguarda, psicografado por Chico Xavier

Esmagamento do mal

“E o Deus de paz esmagará em breve a Satanás debaixo dos vossos pés.” – Paulo. (Romanos, 16:20.) Em toda parte do Planeta se poderá reconhecer a luta sem tréguas, entre o bem e o mal. Manifesta-se o grande conflito, sob as mais diversas formas, e, no turbilhão de seus movimentos, muitas almas sensíveis, de modo invariável, conservam-se na atitude de invocação aos gênios tutelares para que estes venham à arena combater os inimigos que as atordoam, prostrando-os de vez. Solicitar auxílio ou recorrer à lei da cooperação representam atos louváveis do Espírito que identifica a própria fraqueza, contudo, insistir para que outrem nos substitua no esforço, que somente a nós outros cabe despender, demonstra falsa posição, suscetível de acentuar-nos as necessidades. Satanás, representando o poder do mal, na vida humana, será esmagado por Deus; todavia, Paulo de Tarso define, com bastante clareza, o local da vitória divina. O triunfo supremo verificar-se-á sob os pés do homem. Quando a criatura, ...

Falsas alegações

“Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Peço-te que não me atormentes.” – Lucas, 8: 28. O caso do Espírito perturbado que sentiu a aproximação de Jesus, recebendo-lhe a presença com furiosas indagações, apresenta muitos aspectos dignos de estudo. A circunstância de suplicar ao Divino Mestre que não o atormentasse requer muita atenção por parte dos discípulos sinceros. Quem poderá supor o Cristo capaz de infligir tormentos a quem quer que seja? E, no caso, trata-se de uma entidade ignorante e perversa que, nos íntimos desvarios, muito já padecia por si mesma. A vizinhança do Mestre, contudo, trazia-lhe claridade suficiente para contemplar o martírio da própria consciência, atolada num pântano de crimes e defecções tenebrosas. A luz castigava-lhe as trevas interiores e revelava-lhe a nudez dolorosa e digna de comiseração. O quadro é muito significativo para quantos fogem das verdades religiosas da vida, categorizando-lhe o conteúdo à conta de amargo elixir de angústia e so...