Uma orientação política para o Brasil
Uma orientação política para o Brasil
NAS PÁGINAS PSICOGRAFADAS DE CHICO XAVIER
Ainda a democracia – As leis são boas, mas os homens são maus… Patriotismo e coletividade
Pedro Leopoldo, 8 (Especial para O GLOBO, por Clementino de Alencar) – De acordo com o que adiantávamos ontem, iniciamos hoje a divulgação de respostas colhidas do Além pelo “médium”, e relativas às consultas selecionadas da vasta correspondência que lhe chegara desde o início da maior divulgação do seu caso.
Conforme já observamos, muitas das indagações, embora colhidas com a mesma e respeitosa delicadeza que as demais, foram postas de parte por estarem fora não só das possibilidades do “médium”, ou antes, de seus protetores, como também das altas cogitações de ordem moral e espiritual da doutrina.
Reunidas algumas perguntas admissíveis, a caixa da correspondência era posta de lado e o “médium” concentrava-se a seguir para a consulta aos protetores e amigos do espaço.
O repórter limitava-se a recolher as respostas porventura obtidas.
A primeira das consultas atendidas foi a seguinte:
Depois de algumas referências à mensagem de Emmanuel, publicada em nossas edições de 16 de maio último, e na qual o “guia” diz que “para o estado atual do Brasil não se enquadra outro regime fora da democracia liberal”, um missivista, talvez pouco simpático a esse mesmo regime, fez esta indagação:
2 - “Como poderá o Brasil resolver a sua situação econômica dentro da democracia liberal?”
Eis essa resposta de Emmanuel:
“A República Brasileira necessita de forças vitalícias, no terreno político-administrativo, que predominem sobre suas instituições de caráter temporário.
Contrariando o facciosismo, as lutas de clã, existiam no Brasil Império os grandes poderes centralizados.
É da formação de um poder como esse a que a República necessita, a fim de corrigir os baldões, os defeitos e a instabilidade da política administrativa.
Os interesses dos chefes nunca são prejudicados. Sob o despotismo de sua vontade pessoalíssima estão os interesses da nação e das coletividades.
A questão é de homens e não de leis. As leis são boas e bastavam para controlar todos os fenômenos da vida nacional.
Evite-se a expansão do interesse pessoal, as competições mesquinhas, a ambição de ganhos e domínios, os assaltos ao Tesouro Público, o exibicionismo e cultive-se, acima de tudo, o interesse da coletividade. Basta isso. A coletividade é a nação e não se compreende o patriotismo fora dessas normas.
Nestes tempos de confusão em que a crise se manifesta dentro de todas as modalidades, Deus proteja o Brasil, inspirando àqueles que o governam e concedendo a todos os seus filhos paz e prosperidade.
Espírito Emmanuel, do livro Palavras do Infinito.
Página recebida por Chico Xavier, em Pedro Leopoldo a 18 de junho de 1935.