Alphonsus de Guimaraens.


Os que se vão nas mágoas e na poeira
Dos caminhos da morte soterrados,
Levam consigo a imagem derradeira,
A visão dos seus mortos bem amados.

Mortos que aí ficaram na canseira,
Nos trabalhos do mundo acorrentados,
Padecentes de dor e de cegueira
Nos maiores tormentos flagelados… 

Aqueles que amei nunca os esqueço, 
É por eles que sofro e que padeço
Numa longa saudade introduzida;

Eu os espero na luz da eternidade,
Mas, ó seres que eu  amo, esta saudade
É o cinamomo em flor desta outra vida!… 


A alma presa das lágrimas terrenas,
Lembrando a alma que busca o mundo etéreo,
Hoje espalha na paz do cemitério
Um dilúvio de rosas e açucenas… 

Mas das luzes puríssimas do império
Das plagas bonançosas e serenas,
Vimos nós mitigar as vossas penas,
Na divina jornada do mistério.

O nosso imensurável campo-santo
É toda a Terra, imersa em mágoa e pranto,
Onde estão nossos mortos soterrados.

No sepulcro da carne apodrecida,
No turbilhão de lágrimas da vida,
Entre as sombras da dor e dos pecados!…

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