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O diabo

— Imaginem – dizia-nos um amigo, em agradável tertúlia, no Plano Espiritual – se alguns desencarnados, em desespero, aparecessem, de improviso, entre as criaturas humanas, reclamando supostos direitos deixados na Terra. Gritando os tormentos que lhes dilaceram a alma, vomitando impropérios e blasfêmias, não seriam considerados um bando de demônios? Irreconhecíveis, urrando de dor selvagem, humilhados e vencidos, tentando, debalde, retomar as expressões físicas que ficaram nos cadáveres, seriam tomados por monstros infernais, repentinamente soltos na via pública.  — É verdade! – considerou um companheiro, melancolicamente – ninguém no mundo teria dificuldades em identificá-los como os velhos demônios da antiguidade. Os infelizes desse jaez, personificam perfeitamente, ante a observação popular, os Lucíferes, os Belcelins e os Astarots de recuados tempos. Os fantoches da dor sempre surgem ao entendimento infantil como gênios do mal.  Fez pequeno intervalo, sorriu e acentuou:...

Não furtar

Diz a Lei: “não furtaras”. Sim, não furtarás o dinheiro, nem a fazenda, nem a posse dos semelhantes. Contudo, existem outros bens que desaparecem, subtraídos pelo assalto da agressividade invisível que passa, impune, diante dos tribunais articulados na Terra. Há muitos amigos que restituem honestamente a moeda encontrada na rua, mas que não se pejam de roubar a esperança e entusiasmo dos companheiros dedicados ao bem, traçando telas de amargura e desânimo, com as quais favorecem a vitória do mal. Muitos respeitam a terra dos outros; entretanto não hesitam em dilapidar-lhes o patrimônio moral, assestando contra eles a maledicência e a calúnia. Há criaturas que nunca arrebataram objetos devidos ao conforto do próximo; contudo, não vacilam em surrupiar-lhes a confiança. E há pessoas inúmeras que jamais invadiram a posse material de quem quer que seja; no entanto, destroem sem piedade a concórdia e a segurança do ambiente em que vivem, roubando o tempo e a alegria dos que trabalham. “Nã...

Assunto de provação

Do sofrimento que gira Nas sombras que o mal encerra, É que talvez se retira A bênção maior da Terra.           Espírito Ciro Costa Das provas que experimentes Nos dias de angústia e fel, A incompreensão de parentes É talvez a mais cruel.           Espírito Antônio Torres   Deus não fez na estrada humana O grilo que te embaraça. Recorda: Deus fez a cana, O homem fez a cachaça.           Espírito Jair Presente Sem a prova de quem ama, Lutando, dia por dia, A vida seria um drama Que ninguém compreenderia.           Espírito Mariana Luz Trajes ricos? Não reproves A alheia apresentação; Há muita ferida oculta Em luxo e provação.           Espírito Pedro Silva Mulher formosa e querida Dona de encantos fatais, Em muitos casos da vida É aquela que sofre mais.           Espírito Narcisa Amália Vida varia e tra...

A lição da semente

Diante da perplexidade dos ouvintes, falou Jesus, convincente:  —Em verdade, é muito difícil vencer os aflitivos cuidados da vida humana. Para onde se voltem nossos olhos, encontramos a guerra, a incompreensão, a injustiça e o sofrimento. No Templo, que é o Lar do Senhor, comparecem o orgulho e a vaidade nos ricos, o ódio e a revolta nos pobres. Nem sempre é possível trazer o coração puro e limpo, como seria de desejar, porque há espinheiros, lamaçal e serpentes que nos rodeiam. Entretanto, a ideia do Reino Divino é assim como a semente minúscula do trigo. Quase imperceptível é lançada à terra, suportando-lhe o peso e os detritos, mas, se germina, a pressão e as impurezas do solo não lhe paralisam a marcha. Atravessa o chão escuro e, embora dele retire em grande parte o próprio alimento, o seu impulso de procurar a luz de cima é dominante. Desde então, haja sol ou chuva, faça dia ou noite, trabalha sem cessar no próprio crescimento e, nessa ânsia de subir, frutifica para o bem d...

Conselho materno

Ouve, filhinho, Pelo caminho Encontrarás Muita criança Sem esperança, Sem luz, sem paz…  Aves pequenas, Guardam apenas O pranto e a dor, Rolando ao vento Do sofrimento Esmagador. Passam a sós, Erguendo a voz, Pedindo pão…  Passam em bando, Dilacerando O coração. Ante a tristeza Dessa aspereza, Desse amargor, Filhinho amigo, Dá-lhes abrigo, Dá-lhes amor…  És irmãozinho Do pobrezinho Que aflito vai…  Nos mesmos trilhos Nós somos filhos Do mesmo Pai. Espírito João de Deus, do livro Jardim da Infância, psicografado por Chico Xavier.  

Homenagem à mulher

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  A mulher é delineada mais finamente que o homem, o que indica, naturalmente, uma alma mais delicada. É assim que nos meios semelhantes, em todos os mundos, a mãe será mais bela que o pai, por ser a que a criança vê primeiro. É para a figura Angélica de uma senhora moça que a criança volta incessantemente o olhar; é pela mãe que a criança enxuga as lágrimas e fixa o olhar fraco e incerto. A criança tem, assim, uma intuição natural do belo. A mulher sabe principalmente fazer-se notada pela delicadeza de seus pensamentos, pela graça de seus gestos, pela pureza de suas palavras. Tudo que dela vem deve harmonizar-se com sua pessoa, que Deus fez bela.  Seus longos cabelos, ondulantes sobre o pescoço, são a imagem da doçura e da facilidade com que sua cabeça se dobra sem se partir sob as provas. Refletem a luz dos sóis, como a alma da mulher deve refletir a luz mais pura de Deus. Jovens, deixai vossos cabelos flutuantes: para isso Deus os criou. Parecereis, ao mesmo tempo, mais ...

Epígrafe

“Alma gêmea da minh’alma, Flor de luz da minha vida, Sublime estrela caída Das belezas da amplidão!… Quando eu errava no mundo Triste e só, no meu caminho, Chegaste, devagarinho, E encheste-me o coração. Vinhas na bênção dos deuses, Na divina claridade, Tecer-me a felicidade, Em sorrisos de esplendor!… És meu tesouro infinito, Juro-te eterna aliança, Porque eu sou tua esperança, Como és todo o meu amor!” Públio Lentulus Cornelius (Século I) Poema de Públio Lentulus dedicado à esposa, Lívia, constante do romance mediúnico Há 2000 anos…, psicografado por Chico Xavier, em 1939.