Estranho concerto
Clamou o Orgulho ao homem: – "Goza a vida! E fere, brasonado cavaleiro, Coroado de folhas de loureiro, Quem vai de alma gemente e consumida"… Veio a Vaidade e disse: – "A toda brida! Dominarás, além, no mundo inteiro, Cavalga o tempo e corre ao teu roteiro De soberana glória indefinida"!… Mas a Verdade, sobre a humana furna, Gritou-lhe, angustiada, em voz soturna: – "Insensato! Aonde vais, sem Deus, sem norte"? E impeliu, sem detença e sem barulho, Cavaleiro e corcel, vaidade e orgulho, Aos tenebrosos pântanos da Morte. Espírito Antero de Quental, do livro Parnaso de Além-túmulo, psicografado por Chico Xavier, em 1932. Antero de Quental, nascido na ilha de São Miguel, nos Açores, em 1842, e desencarnado por suicídio, em 1891. É vulto eminente e destacado nas letras portuguesas, caracterizando-se pelo seu espírito filosófico.