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Trago-lhe o meu adeus sem prometer voltar breve

Apreciando, em 1932, o “Parnaso de Além-túmulo”, que os poetas desencarnados mandaram ao mundo por intermédio de você, chamei a atenção dos estudiosos para a incógnita que o seu caso apresentava. Os estudiosos, certamente, não apareceram. Deixando, porém, o meu corpo minado por uma hipertrofia renitente, lembrei-me do acontecimento. Julgara eu que os bardos “do outro mundo”, com a sua originalidade estilar, se comprometiam pela eternidade da produção, no falso pressuposto de que se pudessem identificar por outra forma. Encontrando ensejo para me fazer ouvir, através de suas mãos, escrevi essas crônicas póstumas que o Sr. Frederico Figner transcreveu nas colunas do “Correio da Manhã”. Não imaginei que o humilde escritor desencarnado estivesse ainda na lembrança de quantos o viram desaparecer. E as minhas palavras provocaram celeuma. Discutiu-se e ainda se discute. Você foi apresentado como hábil fazedor de pastiches e os noticiaristas vieram averiguar o que havia de verdadeiro em tor...

Recomecemos

"Ninguém põe remendo de pano novo em vestido velho." - Jesus. (Mateus, 9:16.) Não conserves lembranças amargas.  Viste o sonho desfeito.  Escutaste a resposta de fel.  Suportaste a deserção dos que mais amas.  Fracassaste no empreendimento.  Colheste abandono.  Padeceste desilusão.  Entretanto, recomeçar é bênção na Lei de Deus.  A possibilidade da espiga ressurge na sementeira.  A água, feita vapor, regressa da nuvem para a riqueza da fonte.  Torna o calor da primavera, na primavera seguinte.  Inflama-se o horizonte, cada manhã, com o fulgor do Sol, reformando o valor do dia.  Janeiro a Janeiro, renova-se o ano, oferecendo novo ciclo ao trabalho.  É como se tudo estivesse a dizer : “Se quiseres, podes recomeçar”.  Disse, porém, o Divino Amigo que ninguém aproveita remendo novo em pano velho.  Desse modo, desfaze-te do imprestável.  Desvencilha-te do inútil.  Esquece os enganos que te assaltaram....

Como perdoar

Na maioria dos casos, o impositivo do perdão surge entre nós e os companheiros de nossa intimidade, quando o suco adocicado da confiança se nos azeda no coração. Isso acontece porque, geralmente, as mágoas mais profundas repontam entre os Espíritos vinculados uns aos outros na esteira da convivência. Quando nossas relações adoeçam, no intercâmbio com determinados amigos que, segundo a nossa opinião pessoal, se transfiguram em nossos opositores, perguntemo-nos com sinceridade: “Como perdoar se perdoar não se resume à questão de lábios e sim a problema que afeta os mais íntimos mecanismos do sentimento?” Feito isso, demo-nos pressa em reconhecer que as criaturas em desacerto pertencem a Deus e não a nós; que também temos erros a corrigir e reajustes em andamento; que não é justo retê-las em nossos pontos de vista, quando estão, qual nos acontece, sob os desígnios da Divina Sabedoria que mais convém a cada um, nas trilhas do burilamento e do progresso.   Em seguida, recordemos...

O arado

“E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás é apto para o reino de Deus.” – Lucas, 9:62. Aqui, vemos Jesus utilizar na edificação do Reino Divino um dos mais belos símbolos. Efetivamente, se desejasse, o Mestre criaria outras imagens. Poderia reportar-se às leis do mundo, aos deveres sociais, aos textos da profecia, mas prefere fixar o ensinamento em bases mais simples. O arado é aparelho de todos os tempos. É pesado, demanda esforço de colaboração entre o homem e a máquina, provoca suor e cuidado e, sobretudo, fere a terra para que produza. Constrói o berço das sementeiras e, à sua passagem, o terreno cede para que a chuva, o sol e os adubos sejam convenientemente aproveitados. É necessário, pois, que o discípulo sincero tome lições com o Divino Cultivador, abraçando-se ao arado da responsabilidade, na luta edificante, sem dele retirar as mãos, de modo a evitar prejuízos graves à “terra de si mesmo”. Meditemos nas oportunidades perdidas, nas chuvas de miser...

Aos descrentes

Vós, que seguis a turba desvairada, As hostes dos descrentes e dos loucos, Que de olhos cegos e de ouvidos moucos Estão longe da senda iluminada, Retrocedei dos vossos mundos ocos, Começai outra vida em nova estrada, Sem a ideia falas do grande Nada, Que entorpece, envenena e mata aos poucos. Ó ateus como eu fui – na sombra imensa Erguei de novo o eterno altar da crença, Da fé viva, sem cárcere mesquinho! Banhai-vos na divina claridade Que promana das luzes da Verdade, Sol eterno na glória do caminho! Espírito Olavo Bilac, do livro Parnaso de Além-túmulo, psicografado por Chico Xavier.  

Advertências proveitosas

Em que objeto centralizas a tua crença, meu amigo? Recorda que é necessário crer sinceramente em Jesus e segui-lo, para não sermos confundidos. Chico Xavier/Emmanuel, do livro Vinha de Luz O novo crente flagela a quantos lhe ouvem os argumentos calorosos, azorragando costumes, condenando ideias alheias e violentando situações, esquecido de que a experiência da alma é laboriosa e longa e de que há muitas esferas de serviço na casa de Nosso Pai.  Chico Xavier/Emmanuel, do livro Vinha de Luz Toda crise é fonte sublime de espírito renovador para os que sabem ter esperança. Chico Xavier/Emmanuel, do livro Vinha de Luz As dificuldades de qualquer natureza são sempre pedras simbólicas, asfixiando-nos as melhores esperanças do dia, do ideal, do trabalho ou do destino, que recebemos na glória do tempo. É necessário saber tratá-las com prudência, serenidade e sabedoria. Chico Xavier/Emmanuel, do Reformador – Outubro/1952 O dinheiro é sempre bom quando com ele podemos adquirir a simpatia o...

Existência de Deus

Conta-se que um velho árabe analfabeto orava com tanto fervor e com tanto carinho, cada noite, que, certa vez, o rico chefe de grande caravana chamou-o à sua presença e lhe perguntou: —Por que oras com tanta fé? Como sabes que Deus existe, quando nem ao menos sabes ler?  O crente fiel respondeu: —Grande senhor, conheço a existência de Nosso Pai Celeste pelos sinais dele.  —Como assim? — indagou o chefe, admirado.  O servo humilde explicou-se:  —Quando o senhor recebe uma carta de pessoa ausente, como reconhece quem a escreveu?  —Pela letra.  —Quando o senhor recebe uma joia, como é que se informa quanto ao autor dela?  —Pela marca do ourives.  O empregado sorriu e acrescentou:  —Quando ouve passos de animais, ao redor da tenda, como sabe, depois, se foi um carneiro, um cavalo ou um boi?  —Pelos rastros — respondeu o chefe, surpreendido.  Então, o velho crente convidou-o para fora da barraca e, mostrando-lhe o céu, onde a Lua bril...