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Bocage - soneto I

Vive o homem no mundo sorte dura, Por estranho caminho arremessado, Fero titã cativo a negro fado, Do berço morno à fria sepultura. Triste filho dos céus, de alma perjura, Desprezível Adão acorrentado Ao desterro de sombras do passado, Respira o lodo e chora a desventura! Ao vão orgulho – a esse deus imigo, Altares vãos erige, por vaidade, Que, na treva, o mantém revel mendigo! Por mais altos pregões a fé lhe brade, Traz, desditoso, o cárcere consigo, Atado à Morte em plena Eternidade. Espírito de Manuel Maria de Barbosa du Bocage Pedro Leopoldo, 25 de novembro de 1946. Ensina que o homem é um anjo decaído, em consequência do mau uso que fez de seu livre-arbítrio: tem-se, deste modo, a figura do “pecado original”. Seu passado de culpas arremessou a criatura num mundo infeliz, onde deve expiar suas faltas em duras provas. Infelizmente, em vez de se submeter à dor, que redime, o homem se rebela por orgulho, que lhe agrava a situação, e assim prolonga seu cativeiro no cárcere da matéri...

Em silêncio

“Não servindo à vista, como para agradar aos homens, mas como servos do Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus.” - Paulo. (Efésios, 6:6.) Se sabes, atende ao que ignora, sem ofuscá-lo com a tua luz. Se tens, ajuda ao necessitado, sem molestá-lo com tua posse. Se amas, não firas o objeto amado com exigências. Se pretendes curar, não humilhes o doente. Se queres melhorar os outros, não maldigues ninguém. Se ensinas a caridade, não te trajes de espinhos, para que teu contacto não dilacere os que sofrem. Tem cuidado na tarefa que o Senhor te confiou. É muito fácil servir à vista. Todos querem fazê-lo, procurando o apreço dos homens. Difícil, porém, é servir às ocultas, sem o ilusório manto da vaidade. É por isto que, em todos os tempos, quase todo o trabalho das criaturas é dispersivo e enganoso. Em geral, cuida-se de obter a qualquer preço as gratificações e as honras humanas. Tu, porém, meu amigo, aprende que o servidor sincero do Cristo fala pouco e constrói, cada vez mais, com...

Criação

Deus criou o homem na terra À sua imagem Divina, Mas não falou quando é Que esse trabalho termina. REALIDADE Quem se afasta de Jesus Como sempre tantos vi, Não muda por própria escolha Porque não foge de si. Espírito Cornélio Pires, do livro Trovas do coração, psicografado por Chico Xavier.

Notas de Amor

Há muito ensaio de amor, E amor só vive, a contento, Depois de purificado A fogo de sofrimento. Não zombes se vê caído O coração de quem ama. Brilhante não perde o preço Abandonado na lama. O amor é assim como um sol De grandeza indefinida, Que não dorme, nem descansa No espaço de nossa vida. Amor é devotamento, Nem sempre só bem-querer, Bendito aquele que dá Sem pensar em receber. Não há palavra que conte, Por mais vibre, cante ou brade, A glória do amor perfeito Quando chega à eternidade. Espírito Sabino Batista, do livro Trovas do outro mundo, psicografado por Chico Xavier.  

Pergunta no ar

Em tempo algum, ser-nos-ia lícito subestimar a importância da Ciência na Terra, fonte de conhecimento superior e de segurança para o reconforto e progresso da Civilização.  Entretanto, anotemos:  se a inteligência humana estabelecesse, de inesperado, o intercâmbio do Plano Terrestre com outros mundos da nossa galáxia…   se aproveitasse, de momento, todo o poder das forças cósmicas que a rodeiam…   se empregasse, de improviso, a totalidade das energias solares…   se conseguisse meios para curar qualquer tipo de moléstias que afligem a Humanidade…   se penetrasse as complexidades da embriologia, comandando com segurança as ocorrências mais íntimas da gênese do corpo físico…   se dominasse a velocidade, sem sacrifícios, a ponto de transportar-se, em alguns minutos, de polo à polo do mundo…   se recebesse repentinamente a visita de seres materializados de outros orbes…   se governasse os recursos telepáticos ...

Mediunidade e fé

Quando a prova se aproxima,  Nuvem pairando no ar,  Se a incerteza desanima,  A fé prossegue a esperar.      Jarbas Ramos De ser médium que apareça  Muita pessoa se gaba,  Depois, é a nota travessa:  Começa mas não acaba.      Luiz de Oliveira   Se manténs a fé no amor  Que reténs no coração,  Não procures despertar  A fera da tentação.      Sylvio Fontoura  Por força da Lei Divina,  Cujo vigor jamais cessa,  Onde o fracasso domina  A fé viva recomeça.      Bóris Freire     Desta verdade não saio:  O médium firme na fé  Precisa, qual papagaio,  De uma corrente no pé.      Quintino Cunha  Se afastas obsessores,  Mostra amor nesse despacho:  Um que aparece sozinho  É coco fora do cacho.      Pedro Nonato da Cunha   Serviço em mediunidade  É luta que Deus socorre…  Médi...

Nos serviços de cura

(Recebido Diretamente) NÃO basta rogar ajuda para si.  É indispensável o auxílio aos outros. NÃO vale a revelação de humildade na indefinida repetição dos pedidos de socorro. É preciso não reincidirmos nas faltas. NÃO há grande mérito em solicitarmos perdão diariamente. É necessário desculparmos com sinceridade as ofensas alheias. NÃO há segurança definitiva para nós se apenas fazemos luz na residência dos vizinhos. É imprescindível acendê-las no próprio coração. NÃO nos sintamos garantidos pela certeza de ensinarmos o bem a outrem.  É imperioso cultivá-lo por nossa vez. NÃO é serviço completo a ministração da verdade construtiva ao próximo. Preparemos o coração para ouvi-la de outros lábios, com referência às nossas próprias necessidades, sem irritação e sem revolta. NÃO é integral a medicação para as vísceras enfermas.  É indispensável que não haja ódio e desespero no coração. NÃO adianta o auxílio do Plano Superior, quando o homem não se preocupa em retê-lo.  A...