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Ama e espera

Emudece o teu pranto. Cala o grito  De revolta na dor que te encarcera…   Por mais negra, mais rude, mais sincera,  A mágoa estranha de teu peito aflito.  Em toda a Terra há lágrimas e conflito,  Ruínas do mundo que se desespera…  Ama e sofre, trabalha e persevera  Na esperança de paz e de infinito.  Peregrino do campo atormentado,  Rompe os elos e as trevas do passado,  Fita a luz do porvir resplandecente.  Muito além do terrível sorvedouro,  Nas estradas liriais de acanto e louro,  O sol do amor refulge eternamente.  Espírito Cruz e Souza, do livro Através do Tempo.Psicografia de Chico Xavier, em Reunião Pública de 4/09/1946, no Centro Espírita de Lavras, Minas Gerais.   João da Cruz e Sousa, Nasceu em 24 de novembro de 1861 e faleceu em 19 de março de 1898. Foi um poeta brasileiro, reconhecido como o primeiro e o principal expoente do simbolismo no Brasil. Filho de escravos alforriados, teve a vida mar...

Comecemos de nós mesmos

Ensina a caridade, dando aos outros algo de ti mesmo, em forma de trabalho e carinho e aqueles que te seguem os passos virão ao teu encontro oferecendo ao bem quanto possuem. Difunde a humildade, buscando a Vontade Divina com esquecimento de teus caprichos humanos e os companheiros de ideal, fortalecidos por teu exemplo, olvidarão a si mesmos, calando as manifestações de vaidade e de orgulho. Propaga a fé, suportando os revezes de teu próprio caminho, com valor moral e fortaleza infatigável e quem te observar crescerá em otimismo e confiança. Semeia a paciência, tolerando construtivamente os que se fazem instrumentos de tua dor no mundo, auxiliando sem desânimo e amparando sem reclamar, e os irmãos que te buscam mobilizarão os impulsos de revolta que os fustigam, na luta de cada dia, transformando-a em serena compreensão. Planta a bondade, cultivando com todos a tolerância e a gentileza e os teus associados de ideal encontrarão contigo a necessária inspiração para o esforço de extin...

Tópicos da fé

I – Jesus conosco. Entreguemos nossas mãos às mãos do Cristo e caminhemos, guardando a certeza de que a Sua Infinita Bondade jamais nos faltará. II – Conservemos a fé positiva, na certeza de que Jesus não nos abandona.  Confiemos na Providência Divina.   III – Acimentemo-nos, sim, com a fé viva em Deus em todas as circunstâncias da vida.  Guardemos o coração no santuário da fé e pela fé receberemos sempre o necessário acréscimo de forças para a execução de nossas tarefas perante Jesus.  IV – Sigamos confiantes em Jesus!  V – Pelos caminhos da vida, prossigamos com a luz de nossa fé.  Pela fé, nossos corações viverão; pela fé, nossa sensibilidade suportará valorosamente os golpes da prova, criando novos valores para a nossa resistência no trabalho de cada dia.  VI – Para nos auxiliarem, os Amigos da Vida Maior contarão sempre com a perseverança de nossa fé.  VII – Sejamos valorosos e firmes em nossa fé viva, conservando a invariável convicção de...

Nova abolição

Prossegue a escravidão implacável e crua…  Não mais senzala hostil, escura e desumana. A incompreensão do amor, no entanto, continua Em domínio cruel de que a treva se ufana. Mas a luz do Senhor não teme, nem recua, Na ansiedade e na dor, sublime, se engalana, E, das graças do templo aos sarcasmos da rua, Erige a liberdade augusta e soberana…  Irmãos do meu Brasil, encantado e divino, Do Amazonas ao Prata ergue-se a Deus um hino Que exalça no Evangelho a grandeza de um povo! Fustiguemos o mal, combatendo a descrença, Descortinando, além da noite que se adensa, A alvorada feliz de um mundo livre e novo. José do Patrocínio, do livro Parnaso de Além-túmulo, psicografado por Chico Xavier. José Carlos do Patrocínio nasceu em Campos, Estado do Rio de Janeiro, aos 9 de outubro de 1853. E desencarnou a 29 de janeiro de 1905. Farmacêutico, jornalista, romancista, poeta, impetuoso político e grande orador, membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Foi uma das figuras máximas...

Agradece

Agradece as mãos que te constroem a existência, decorando-a com as tintas da alegria e da esperança, mas endereça os teus pensamentos de gratidão àquelas outras que te ferem com os espinhos da incompreensão, ensinando-te a conviver e a servir. Agradece as vozes que te embalam os anseios, entretecendo hinos de paz e amor com que te inspiram as melhores realizações, no entanto, envia as tuas vibrações de reconhecimento àquelas outras que te exageram essa ou aquela falha, induzindo-te a compreender e a perdoar. Agradece aos amigos que te proporcionam mesa farta, impulsionando-te a pensar na abastança da Terra, mas não recuses respeito àqueles que, em algum tempo, te sonegaram o pão, levando-te a prestigiar a fraternidade e a beneficência. Agradece aos irmãos que te reconhecem a nobreza de sentimentos, louvando-te o trabalho, entretanto, não olvides o apreço que se deve àqueles outros que te menosprezam, auxiliando-te a descobrir os tesouros da humildade e da tolerância. Certa feita, um...

Indução de ação

Entendendo a nossa condição de espíritos imortais , é justo se te peça tolerância e paciência, diante dos companheiros que a vida te confiou à direção e à intimidade. Não é unicamente a noção por certos prejuízos que se fazem suscetíveis de conduzir uma criatura ao desequilíbrio ou a autodestruição. A nossa possível atitude condenatória, em muitos casos, é o fator desencadeante que a impele para a loucura ou para o suicídio. Em vista disso, se consegues discernir os riscos em que se encontram determinados irmãos, usa a caridade do entendimento para com eles, a fim de que não venhas a precipitá-los em riscos maiores. Se pessoas estimáveis caíram em erro, não lhes aumentes o peso da culpa, destacando-lhes esse ou aquele gesto infeliz. Aos enfermos não te dirijas, comentando-lhes os males, para que esses mesmos males não lhes cresçam na imaginação. A frase de tristeza, para os tristes, é mais um toque de sombra, ampliando-lhes a angústia. Perante os aflitos, não apresentes esse ou aqu...

Estranho concerto

Clamou o Orgulho ao homem: – "Goza a vida! E fere, brasonado cavaleiro, Coroado de folhas de loureiro, Quem vai de alma gemente e consumida"…  Veio a Vaidade e disse: – "A toda brida! Dominarás, além, no mundo inteiro, Cavalga o tempo e corre ao teu roteiro De soberana glória indefinida"!…    Mas a Verdade, sobre a humana furna, Gritou-lhe, angustiada, em voz soturna: – "Insensato! Aonde vais, sem Deus, sem norte"? E impeliu, sem detença e sem barulho, Cavaleiro e corcel, vaidade e orgulho, Aos tenebrosos pântanos da Morte. Espírito Antero de Quental, do livro Parnaso de Além-túmulo, psicografado por Chico Xavier, em 1932. Antero de Quental, nascido na ilha de São Miguel, nos Açores, em 1842, e desencarnado por suicídio, em 1891. É vulto eminente e destacado nas letras portuguesas, caracterizando-se pelo seu espírito filosófico.