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Aborto

O aborto muito raramente se verifica obedecendo a causas de nossa esfera (espiritual) de ação. Em geral, origina-se do recuo inesperado dos pais terrestres, diante das sagradas obrigações assumidas ou aos excessos de leviandade e inconsciência criminosa das mães, menos preparadas na responsabilidade e na compreensão para este ministério divino. Entretanto, mesmo aí, encontrando vasos maternais menos dignos, tudo fazemos, por nossa vez, para opor-lhes resistência aos projetos de fuga ao dever, quando essa fuga representa mero capricho da irresponsabilidade, sem qualquer base em programas edificantes. Claro, porém, que a nossa interferência no assunto, em se tratando de luta aberta contra nossos amigos reencarnados, transitoriamente esquecidos da obrigação a cumprir, tem igualmente os seus limites. Se os interessados, retrocedendo nas decisões espirituais, perseveram sistematicamente contra nós, somos compelidos a deixá-los entregues à própria sorte. Daí a razão de existirem muitos ca...

Perante Jesus

Certa feita convidou-nos o Divino Mestre: - “Vinde a mim, todos vós que sofreis e vos aliviarei”…  E através do tempo, todos nós, os que nos consideramos imperfeitos e infelizes, fomos a Ele, a fim de ouvir-lhe as instruções. Os oprimidos e aflitos, os doentes, os cansados, os sedentos de justiça, os desarvorados, os desvalidos, os desamparados, os perseguidos, os caluniados, os tristes, os desesperados, os fracos, os irritadiços, os incompreendidos e toda uma legião de sofredores, buscamo-lo, avidamente, aguardando-lhe os ensinamentos e promessas, manifestando-nos em torno dele, qual ocorre neste livro. E o Divino Mestre respondeu-nos com as instruções da Boa Nova, cuja validade é definitiva para todos os tempos. Amparou-nos o Senhor, reconfortou-nos, esclareceu-nos, traçando-nos os caminhos para chegarmos até Ele e conhecermos a nós mesmos, expressando-se claramente, com vistas a todos os povos. Reergueu-nos o ânimo e guiou-nos para a Verdade e para o Bem, iluminando-nos o co...

O espelho da vida

A mente é o espelho da vida em toda parte.  Ergue-se na Terra para Deus, sob a égide do Cristo, à feição do diamante  bruto, que, arrancado ao ventre obscuro do solo, avança, com a orientação do lapidário, para a magnificência da luz.  Nos seres primitivos, aparece sob a ganga do instinto, nas almas humanas surge entre as ilusões que salteiam a inteligência, e revela-se nos Espíritos Aperfeiçoados por brilhante precioso a retratar a Glória Divina.  Estudando-a de nossa posição espiritual, confinados que nos achamos entre a animalidade e a angelitude, somos impelidos a interpretá-la como sendo o campo de nossa consciência desperta, na faixa evolutiva em que o conhecimento adquirido nos permite operar.  Definindo-a por espelho da vida, reconhecemos que o coração lhe é a face e que o cérebro é o centro de suas ondulações, gerando a força do pensamento que tudo move, criando e transformando, destruindo e refazendo para acrisolar e sublimar.   Em todos o...

Pensamento e desobsessão

Falamos de pensamento livre.  Analise o corpo de que você se serve no plano material: do ponto de vista do autocontrole, é uma cabine perfeita com dispositivos especiais destinados à sua própria defesa.  O cérebro com os centros diretivos da mente funciona encerrado na caixa craniana, à maneira de usina quase lacrada num cofre forte.  Os olhos registram impressões, mas podem conservá-las em estudo discreto.  Os ouvidos são forçados a escutar o que lhes afete a estrutura, entretanto, não precisam dizer o que assinalam.  A voz é produzida na laringe sem necessidade de arrojar de si palavras em desgoverno.  Mãos e pés por implementos de serviço não se movimentam sem determinações da vontade.  Os recursos do sexo não atuam sem comando mental.  Fácil, assim, verificar que não existe trabalho desobsessivo sem reajuste da emoção e da ideia, porquanto todos os processos educativos e reeducativos da alma se articulam, de início, no pensamento.  Eis...

Nos caminhos do sempre

Nem sempre se te fará necessário fitar a retaguarda para reconhecer as vantagens da própria situação.  Basta recordar os obstáculos que já venceste.  Impossível não te lembres de certas ocasiões difíceis, no grupo doméstico, nas quais, sem esperar, conseguiste manter o próprio equilíbrio, a fim de auxiliar aos que se te ligam à existência.  Fácil rememorar os momentos de azedume, dos quais a passagem do tempo te desligou para o retorno à tranquilidade.  Perigos que te ameaçaram, desapareceram, sem que os vissem, no instante em que se entrecruzavam na estrada.  Ocorrências infelizes que atravessaste foram muito mais advertências da vida ao teu senso de ponderação e serenidade que calamidades irreparáveis, conquanto, em alguns casos, provações inevitáveis se te emplacassem no contexto das próprias experiências.  Preterições sofridas geraram várias conquistas de melhoria que atualmente desfrutas.  Mudanças desagradáveis e compulsórias transformaram-se ...

Amigos e inimigos

O amigo é uma bênção. O inimigo, entretanto, é também um auxílio, se nos dispomos a aproveitá-lo. O companheiro enxerga os nossos acertos, estimulando-nos na construção do melhor de que sejamos capazes. O adversário identifica os nossos erros, impelindo-nos a suprimir a parte menos desejável de nossa vida. O amigo se rejubila conosco, diante de pequeninos trechos de tarefa executada. O inimigo nos aponta a extensão da obra que nos compete realizar. O companheiro nos dá força. O adversário nos mede a resistência. Quem nos estima, frequentemente categoriza nossos sonhos por serviços feitos, tão só para induzir-nos a trabalhar. Quem nos hostiliza, porém, não nos nega valor, porquanto não nos ignora e sim combate-nos, reconhecendo-nos a presença em ação. Na fase deficitária da evolução que ainda nos caracteriza, precisamos do amigo que nos encoraja e do inimigo que nos observa. Sem o companheiro, estaremos sem apoio e, sem o adversário, ser-nos-á indispensável enorme elevação para não t...

De pé, os mortos!

Pede-me você uma palavra para o introito do “Parnaso de Além-túmulo”, que aparecerá brevemente em nova edição. (Refere-se à 2ª edição, publicada em 1935).  A tarefa é difícil. Nas minhas atuais condições de vida, tenho de destoar da opinião que já expendi nas contingências da carne. Os vivos do Além e os vivos da Terra não podem enxergar as coisas através de prismas idênticos. Imagine se o aparelho visual do homem fosse acomodado, segundo a potencialidade dos raios X: as cidades estariam povoadas de esqueletos, os campos se apresentariam como desertos, o mundo constituiria um conjunto de aspectos inverossímeis e inesperados. Cada esfera da vida está subordinada a certo determinismo, no domínio do conhecimento e da sensação. Decerto, os que receberem novamente o “Parnaso de Além-túmulo” dirão mais ou menos o que eu disse. (Alude às crônicas que ele, quando encarnado, escrevera no Diário Carioca, em julho de 1932, ao surgir a 1ª edição do Parnaso).  Hão de estranhar que os mo...