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No templo doméstico

A escola simples alfabetizará teu cérebro, garantindo-te o ingresso no vestíbulo da cultura e à universidade, na ordem superior do ensino; alçar-te-á o conhecimento à comunhão com a ciência preciosa, descerrando-te o acesso à infinita sabedoria… O santuário religioso preparar-te-á o sentimento para a aquisição da virtude e as grandes experiências da fé, habilitar-te-ão a vida interior aos mais largos voos nos domínios do espírito… Aprenderás com o mundo e com os homens os mais belos caminhos para que o teu entendimento e o teu coração se ergam da sombra terrestre à claridade dos cimos, entretanto, o lar é o ponto vivo de tua luta, a oficina de tua redenção e o templo em que conquistarás as próprias asas para a libertadora ascensão. É aí, nesse abrigo limitado a quatro paredes, que serás desafiado a positivos testemunhos de sacrifício, diplomando-te no serviço justo à comunidade terrena que te espera a palavra brilhante e a linguagem do exemplo renovador… Vives no asilo doméstico, à man...

O anjo da limpeza

Adélia ouvira falar em Jesus e tomara-se de tamanha paixão pelo Céu que nutria um desejo único — ser anjo para servir ao Divino Mestre. Para isso, a boa menina fez-se humilde e crente, e, quando não se achava na escola em contacto com os livros, mantinha-se na câmara de dormir em preces fervorosas. Cercava-se de lindas gravuras, em que os artistas do pincel lembram a passagem do Cristo entre os homens, e, em lágrimas, repetia: — “Senhor, quero ser tua! Quero servir-te!…” A Mãezinha, em franca luta doméstica, embalde convidava-a aos serviços da casa. Adélia sorria, abraçava-se a ela e reafirmava o propósito de preparar-se para a companhia do Divino Amigo. A bondosa senhora, observando que o ideal da filha só merecia louvores, deixava-a em paz com os estudos e orações de cada dia. Meses correram sobre meses e a jovem prosseguia inalterável. Orando sempre, suplicava ao Senhor a transformasse num anjo. Decorridos dois anos de rogativas, sonhou, certa noite, que era visitada pelo Mestre Amo...

O telefonema

Achava-se Agostinho Pereira de Souza, denodado trabalhador da Doutrina Espírita, no Hospital “Pedro Alcântara”, no Rio, atendendo a confrade que, por mais de duas horas, lhe tomava tempo. Paciente, Agostinho escutava. O amigo falava sem pausa, com a mímica de sonâmbulo. Relatórios verbais imensos. Projetos. Notícias. Petitórios. Acordando, por fim, para a realidade, e reconhecendo que repetia observações, como disco estragado, disse para o ouvinte bondoso: — Mas, afinal, Agostinho, como você pode dar conta de tanto trabalho? Estamos ouvindo enfermos gemendo… Decerto você tem muitos deveres e uma longa palestra come horas… É muita gente a bater com a língua nos dentes! Como resolve o problema de tudo atender no momento exato? — Sim, não foi fácil — replicou Agostinho, com evidente preocupação ante o serviço a fazer. — A princípio, lutei… Tomar tempo dos outros é falta de caridade, mas dizer que uma pessoa é maçante é falta de caridade também. Mas, como tantos homens extremamente ocupado...

Sempre chamados

O cristão é chamado a servir em toda parte. Na casa do sofrimento, ministrará consolação. Na furna da ignorância, fará esclarecimento. No castelo do prazer, ensinará a moderação. No despenhadeiro do crime, sustará quedas. No carro do abuso, exemplificará sobriedade. Na toca das trevas, acenderá luz. No nevoeiro do desalento, abrirá portas ao bom ânimo. No inferno do ódio, multiplicará bênçãos de amor. Na praça da maldade, dispensará o bem. No palácio da justiça, colocar-se-á no lugar do réu, a fim de examinar os erros dos outros. Em todos os ângulos do caminho, encontraremos sugestões do Senhor, desafiando-nos a servir. Espírito André Luiz, do livro Agenda Cristã, psicografado por Chico Xavier.

Abrigo

Leitor amigo: No mundo físico, debatem-se hoje as criaturas sob múltiplas tempestades. O armamentismo domina o orçamento das nações. Conflitos enxameiam no Oriente, enquanto a vida ocidental sofre a expectativa de confrontações bélicas de resultados imprevisíveis. Lutas de classes, desvinculações contundentes, processos de angústia, moléstias de etiologia obscura, inusitadas explosões de violência, invadem comunidades inteiras, estabelecendo a insegurança e o medo em todas as direções. Onde os recursos defensivos? Procura-se ansiosamente um refúgio de socorro que alivie mentes e corações. Eis a razão deste livro simples em que procuramos demonstrar que todos nós, os espíritos encarnados e desencarnados em evolução na Terra, temos um abrigo seguro e único em Jesus, com a prática dos ensinamentos que ele deixou em seu testamento de luz inextinguível e de amor imortal. Espírito Emmanuel, prefácio do livro Abrigo. Página recebida por Chico Xavier, em 1986. 

Igreja livre

“Mas a Jerusalém que é de cima, é livre, a qual é mãe de todos nós.” - Paulo. (Gálatas, 4:26.) O exame isolado deste versículo sugere um tema de infinita grandeza para os discípulos religiosos do Cristianismo. A palavra do apóstolo aos gentios recorda-nos a igreja liberta do Cristo, não na esfera estreita dos homens, mas no ilimitado pensamento divino. O espírito orgulhoso e sectário, há tanto tempo dominante nas atividades da fé, encontra na afirmativa de Paulo de Tarso um antídoto para as suas venenosas preocupações. Em todas as épocas, têm vivido na Terra os nobres excomungados, os incompreendidos valorosos e os caluniados sublimes. Passaram, nos círculos das criaturas, qual acontece ainda hoje, perseguidos e desprezados, entre o sarcasmo e a indiferença. Por vezes, sofrem o degredo social por não se aviltarem ante as explorações delituosas do fanatismo; em outras ocasiões, são categorizados à conta de ateus pelas suas ideias mal interpretadas. É que, de quando em quando, rajadas de...

Procuremos mais luz

Amigos, A casa não se levanta sem alicerces. O rio não desliza sem o leito. A árvore não se ergue sem raízes. O compositor não chegaria à obra-prima sem a iniciação do solfejo. O sábio não penetraria o templo da cultura sem, antes, acomodar-se com o impositivo do alfabeto. O médico não conseguiria curar sem apoiar-se no estudo e na experiência. O milagre, em qualquer circunstância, não é mais do que labor intenso de recapitulação, de sacrifício, de persistência e devoção no objetivo por atingir. Se adquiris no mundo o comprimido para a dor de cabeça, se pagais o ingresso à casa de diversões, por que motivo haveríeis de obter a fé sem trabalho perseverante na compreensão da vida e no burilamento da personalidade? Nada existe sem preço. A lei da retribuição funciona em todos os caminhos. Sementeira e colheita. Ação e reação. Temos o que buscamos. Atraímos, invariavelmente, o objeto de nossa procura. Se desejais direitos no Céu, não olvideis as obrigações na Terra. Se em vez de aguardarde...